Por que há mudanças nas regras da F-1 a cada temporada?
Sexta, 27 de Dezembro de 2013

Já imaginou um F-1 sem qualquer restrição por parte da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para que projetistas e engenheiros coloquem em prática suas mais recentes inovações? Considere então o desempenho de um carro com chassi sem apêndices aerodinâmicos, com pneus largos, as asas ainda sem aquelas restrições relativamente sofisticadas de meados dos anos 70/80, efeito solo em toda a aerodinâmica do carro e saias laterais em conjunto com um potente motor turbo de 1,5 litros, suspensão ativa, telemetria de primeira linha e outras melhorias do mundo tecnológico.

 

A combinação mais poderosa das tecnologias seria o efeito solo e a suspensão ativa. O efeito solo baseia-se tecnicamente em uma altura muito baixa, mas consistente, para o carro ser mantido no solo pela suspensão, para que o efeito de pressão do ar sugue o carro para baixo seja feito de forma perfeita. Já a suspensão ativa é projetada para manter o carro na mesma altura o tempo todo para maximizar o desempenho da aerodinâmica em diferentes tipos de traçados. A combinação dessas duas tecnologias permitiria que os carros tivessem, não necessariamente, maior velocidade em linha reta, mas os ganhos de velocidade em curvas seriam enormes e extremamente perigosos. Basta imaginar esses carros contornado curvas extremamente velozes como a Parabólica em Monza ou como a antiga Peraltada no México.

 

Em princípio, a ideia parece ser ótima, mas na realidade seria completamente perigosa e colocaria a segurança de muitas vidas em risco e, mesmo um piloto de grande talento como Gilles Villeneuve seria intimidado pela performance e altíssima velocidade atingida pelos carros. Para se ter condições de pilotar um carro com todas essas tecnologias, os pilotos seriam obrigados a usar macacões especiais (de pressão, modelo parecido com o utilizado pela força aérea) para evitar que se ocorram desmaios após seis ou sete curvas devido a intensidade da Força G.

 

O que mais vem sendo discutido nos últimos regulamentos da F1 é o desejo de se manter o esporte relevante para a tecnologia do carro de rua. Para impedir que se torne uma corrida de desenvolvimento aerodinâmico sem nenhum benefício para carros de rua, a FIA recentemente começou a exigir um conjunto de regras que respeitem mais o meio ambiente. Como resultado, os motores turbos estão de volta, cilindradas foram reduzidas e o KERS tem um maior potencial combinando os projetos de pesquisa da FIA e a entrada do grupo técnico de trabalho. As novas regras devem garantir que a F1 tenha um futuro como esporte e como um exercício técnico, em fase das crescentes regulamentações governamentais de emissões e outras preocupações ambientais.

 

Abraço, e até a próxima!

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