José Carlos Pace
Sexta, 04 de Dezembro de 2015

José foi um piloto brasileiro nascido em São Paulo. Desde os tempos de rachas no bairro do Pacaembu em São Paulo, Moco (pequena coruja que quando não quer ver ou ouvir o que não lhe interessa, vira a cabeça ou se faz de surda), apelido ganho pela mania de só responder as coisas que interessavam, desde cedo tinha sido encaminhado para tornar-se economista, porque a família precisava de um diretor nos negócios de tecelagem.

Pace passou por várias categorias do automobilismo brasileiro, protótipos nacionais, turismo, pelas maratonas de 24 horas de Interlagos e pelas 500 milhas. Começou com os irmãos Fittipaldi nas Fórmulas, na primeira temporada de Fórmula Ford no Brasil em 1967.

Depois de se consagrar em diversas categorias do automobilismo brasileiro, Moco vendeu tudo o que tinha, e em 1970 foi tentar as pistas europeias com um Lotus 59. Foi campeão de Fórmula 3 do disputado campeonato Forward Trust Trophy. Venceu 8 das 36 corridas, classificou-se entre os 5 primeiros em 31 vezes e bateu 4 recordes de velocidade. Abriu as portas para a F-2. Em 1971, aconteceu a vitória no GP de Ímola de F2.

As vitórias na F-2 concederam a Moco o prazer de dirigir uma Ferrari no Mundial de Marcas de 72 e atingir a F-1. Lá, com um March 721 da Willians, Moco mostrou seu arrojo e vontade.

Na Fórmula 2, não chegou a completar uma temporada, disputando com um velho Surtees algumas provas europeias, mas venceu uma bateria no Brasil em 1972, quando já competia nos March da Willians.

Bastou uma apresentação num GP não válido em Ímola, na Itália, para que começasse o interesse da Ferrari em Pace. Do interesse passou ao convite e Moco seria um dos pilotos dos 312B nos protótipos de Marcas em 73, vencendo com Arturo Merzario e Jack Icky várias maratonas de 6 horas e 1.000 km.

A estreia de Moco na Fórmula 1 foi no GP da África do Sul em 1972, com os fracos carros da Willians/Politoys. Apesar disso, acabou o ano entre os 6 primeiros na Bélgica, na Inglaterra e na Áustria. Em 1973 passou para a equipe de John Surtees.

Derrubou o recorde de 5 anos na pista de Nrburgring para ficar com o quarto lugar na Alemanha. No GP da Áustria, subia pela primeira vez num pódio de F-1 com o terceiro lugar, batendo o recorde do veloz circuito de Zeltweg.

Pace tinha predileção especial por lugares solitários e esse prazer o fazia correr para as fazendas dos amigos pilotos, como a de Paulo Gomes em Mato Grosso, seu companheiro nas corridas da Divisão 1 no campeonato brasileiro. Um prazer que acabou justamente na morte aos 32 anos e ironicamente com um amigo de pista, o ex-campeão Marivaldo Fernandes, veterano de todas as categorias do automobilismo brasileiro.

Abraço e até a próxima!

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