O sonho de aço
Sexta, 11 de Dezembro de 2015

Um carro com carroceria feita em aço inoxidável foi fabricado na Irlanda do Norte, em Dunmurray, a 10 quilômetros do centro de Belfast, a capital. Lá, de 1981 ao final de 1982 funcionou a DeLorean Motor Company (DMC).

Foi fundada em 1973, em plena crise mundial do petróleo, mas seus automóveis só ganharam as ruas no começo da década de 80. Seu fundador, John Zachary DeLorean, bem-sucedido executivo da General Motors, fez uma carreira brilhante na Packard, no início dos anos 50, e depois no grupo GM, onde ingressou com apenas 24 anos de idade. Na divisão Pontiac, chegou a engenheiro-chefe, e na Chevrolet, diretor-geral. Na Pontiac, criou e desenvolveu o projeto dos famosos GTO e, mais tarde, a linha Grand Prix. Chegou à vice-presidência da GM.

Mas John DeLorean não estava contente, apesar do gordo salário anual de 650 mil dólares. Ele queria mais, pois tinha um sonho: ter sua fábrica de automóveis e até ensinar a GM como se faz um carro.

A ideia do novo carro-esporte, com carroceria em aço escovado, foi brilhante. Chamava-se DMC-12. O desenho era inovador, mas empregava soluções de carros do passado. As portas em asa-de-gaivota eram baseadas nas do Mercedes-Benz 300 SL. O vigia traseiro em persianas já tinha sido adotado no Lamborghini Miura e no Lancia Stratos.

O responsável pelo projeto foi o famoso Giorgio Giugiaro, que já tinha realizado obras de arte como o Miura, o De Tomaso Mangusta, o Maserati Ghibli, o Fiat Dino e o Lotus Esprit. Reunia soluções como a carroceria em aço escovado, chassi Lotus em Y e motor PRV (Peugeot-Renault-Volvo) com seis cilindros em V e 2,8 litros, que a princípio seria adotado na posição central, mas depois, por problemas técnicos, ficou alojado atrás do eixo traseiro, com câmbio do Renault Alpine A 310. Além de muito bom, o carro era relativamente fácil de manter, graças a peças comuns a vários modelos do mercado europeu, encontradas sem problemas até hoje.

John DeLorean queria um carro para durar de 20 a 25 anos e que não ficasse obsoleto em pouco tempo. No primeiro protótipo, foi utilizado um motor do Citroën CX, de dois litros e 102 cv. Mostrou-se antiquado e fraco para as características do esportivo. O carro deveria ser leve, mas a realidade era outra.

O motor PRV se mostrou mais adequado. Era um ótimo propulsor, equilibrado, robusto e moderno, mas não chegava a entusiasmar no DMC-12. Tinha um desempenho modesto se comparado a seus concorrentes. John DeLorean visava aos compradores de Corvette nos EUA, seu mercado de ataque, mas seu carro não andava muito mais que um Mustang V8, de desempenho inferior ao esportivo da Chevrolet. O carro de aço fazia de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos e chegava a quase 200 km/h.

Abraço e até a próxima!

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