Copersucar-Fittipaldi
Sexta, 19 de Fevereiro de 2016

A trajetória dos Fittipaldi no automobilismo brasileiro é rica em histórias e acontecimentos. Começou com o envolvimento do “Barão” Wilson Fittipaldi como radialista, narrando corridas na Rádio Panamericana e promovendo eventos do porte das Mil Milhas, em parceria com o Centauro Motor Clube. Foi esse envolvimento do “Barão” com o esporte que contagiou seus filhos: Wilson, nascido em 1943, e Emerson, que veio ao mundo em dezembro de 1946. Assim que os dois tiveram idade legal para se empenhar no automobilismo, os manos Fittipaldi começaram uma bonita história dentro da modalidade no país.

Ambos vieram do kart, venceram corridas, fizeram parte das principais equipes brasileiras, mas Emerson e Wilsinho também se dedicaram na construção de carros de competição, fizeram o lendário Fitti-Porsche e um invocado Fusca de dois motores. Então, Emerson, com 22 anos, foi para a Europa, onde barbarizou na Fórmula Ford e Fórmula 3. Menos de um ano depois, estreava na Fórmula 1, da qual seria o mais jovem campeão em 1972, façanha que ostentou por décadas.

Wilsinho também chegou ao automobilismo internacional. Fez Fórmula 3, correu de F-2 europeia e finalmente ascendeu à Fórmula 1, pela qual competiu na Brabham por uma temporada e meia. Mas, cansado de pagar para correr, partiu para o maior empreendimento de sua vida: a construção de um carro próprio para disputar o Mundial de 1975.

Os planos começaram no fim de 1973, com o mínimo necessário de pessoal: Wilsinho tinha, para ajudá-lo no que era uma verdadeira aventura, o desenhista e engenheiro Ricardo Divila e os mecânicos Darci Medeiros e Yoshiatsu Itoh. E só. Nem sede fixa a Fittipaldi tinha e o jeito foi começar os trabalhos na Escola de Pilotagem de Pedro Victor de Lamare.

Em 1974, o carro começou a sair finalmente do papel e ganhar vida, após notar os risinhos incrédulos de pelo menos três patrocinadores, ele percebeu que só com o carro pronto poderia vender uma idéia de equipe de Fórmula 1 até que o presidente da Copersucar (Cooperativa dos Produtores de Cana de Açúcar do Estado de São Paulo) apostou na iniciativa inédita e decidiu, após a proposta enviada por Wilsinho, patrocinar o projeto pioneiro do primeiro Fórmula 1 brasileiro. 

Os testes, quase sempre realizados no Autódromo de Interlagos, não deixavam escapar a impaciência de Wilsinho por desempenhos imediatamente competitivos de um projeto novo como o Copersucar-Fittipaldi FD01.

O desempenho do carro não foi dos melhores, mas eles tiveram a coragem e ousadia de desenvolver o projeto, merecendo todos os méritos.

Abraço e até a próxima!

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