Amílcar Cabral: um grande líder 1
Sexta, 23 de Janeiro de 2015

Prezados leitores deste renomado jornal no dia 20 de janeiro de 1973, os povos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde perderam um dos seus melhores filhos. Foi assinado em Conacri, capital da República da Guiné, a mando dos colonizadores portugueses, Amílcar Cabral, líder da luta pela reconquista da independência destes dois povos. Estamos a trazer aqui um pouco da contribuição deste grande líder.

Filho de Juvenal Lopes Cabral, Cabo-verdiano e de Iva Pinhel Évora Guineense, nascido em 12 de setembro de 1924 na cidade de Bafatá Guiné-Bissau, fez os estudos primários e secundários em Cabo-Verde, e, consegue por mérito uma bolsa de estudo para cursar agronomia no Instituto Superior de Agronomia em Lisboa, sendo o único estudante negro de sua turma. Na universidade participa ativamente em reuniões de grupos antifascistas junto com outros alunos vindos de outras colônias portuguesas de África, nomeadamente, Mario de Andrade, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos tendo igualmente se envolvido com o Movimento Cultural da negritude liderado por Léopold Sedar Senghor do Senegal que cultuavam “os vetores culturais da reafricanização dos espíritos”.

Após a sua graduação, Cabral foi contratado pelo Ministério do Ultramar como adjunto dos Serviços Agrícolas e Florestais da Guiné, regressando a Bissau em 1952. Inicia o trabalho na granja experimental de Pessube ocasião em que percorre grande parte do país, de porta em porta, durante o Recenseamento Agrícola de 1953, adquirindo um conhecimento profundo da realidade social vigente. Suas atividades políticas se iniciam com a criação da primeira Associação Esportiva, Recreativa e Cultural da Guiné, aberta tanto aos "assimilados" quanto aos indígenas, o que lhe reserva a antipatia do governador da colônia Melo Alvim levando-o a emigrar para Angola aonde participa ativamente na mobilização das massas populares e na criação do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

Em 1956 Cabral participa da Conferência de Bandung e toma conhecimento da questão afro-asiática. Em 19 de setembro do mesmo ano, juntamente com outros compatriotas guineenses e cabo-verdianos funda Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). A mobilização das massas populares para por fim a dominação e a exploração tiveram como um dos primeiros atos a greve dos trabalhadores do porto de Pidjiguiti, que foi fortemente reprimida pelas tropas portuguesas, resultando no massacre de 59 manifestantes e no ferimento de outras centenas. Quatro anos mais tarde, o PAIGC sai da clandestinidade ao estabelecer uma delegação na cidade de Conacri. Em 23 de janeiro de 1963 tem início a luta armada contra a metrópole colonialista, com o ataque ao quartel de Tite, no sul do país. 

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