Amílcar Cabral: um grande líder 2
Sexta, 30 de Janeiro de 2015

Amigos leitores, estamos nesta coluna a prosseguir trazendo de forma muito resumida as contribuições de Amílcar Cabral enquanto líder do movimento de luta pela libertação dos povos da Guiné-Bissau e Cabo Verde contra o jugo colonial português.
Sob a liderança direta de Cabral, a guerra iniciada em 1963 com o ataque ao quartel de Tite avançou rapidamente. Entretanto, ao mesmo tempo em que o PAIGC vencia as tropas portuguesas no campo de batalha, conquistando muitas regiões, Amílcar procura por meio do campo diplomático obter um estatuto jurídico internacional que permita ao país ser reconhecido, pois tinha clara noção da importância dessa frente.
Por isso, desdobra-se em viagens à procura de apoios militares, financeiros ou humanitários, resultando nos apoios incondicionais dos países africanos independentes limítrofes da Guiné e de praticamente todos os países independentes de África; apoios da China, da então União Soviética, de Cuba, mas também de governos de países ocidentais como a Suécia, a Noruega e a Finlândia. Com esses apoios, aliados à mobilização da população, a Guine já via ao fundo a luz da independência.
Fatos marcantes da sua afirmação internacional são nomeadamente, a audiência com o Papa Paulo VI em 1970 e a sua intervenção em 1972 no Conselho de Segurança em Adis Abeba, na qual realiza um apelo à ONU no sentido de enviar uma missão de visita às regiões libertadas, apelo esse realizado por uma missão das Nações Unidas entre 2 e 8 de Abril de 1972, contribuindo ainda mais para o reconhecimento internacional do PAIGC como representante legítimo do povo da Guiné-Bissau e Cabo Verde.
Do lado das autoridades coloniais, estava em curso uma campanha militar desesperada, lançada pelo seu comando político-militar, na tentativa de reverter a seu favor o estado de equilíbrio militar, apostando na recuperação das regiões libertadas, o que estava a ser muito difícil conjugada com uma intensa e diversificada campanha sócio-política demagógica, em torno da chamada “Guiné Melhor”.
Sem resultados concretos no campo de batalha, a única saída que restava aos colonizadores, precisamente quando sentiam que estavam em vias de perder a guerra, com consequências desastrosas para o futuro do império colonial, nada melhor do que decapitar o PAIGC, solução experimentada em outras guerras coloniais.
Reside aí a razão principal da decisão última de avançar, na sua miopia política e na sua ação criminosa, recorrendo decididamente com a operação do assassinato de Amílcar Cabral, perpetrada pelos serviços secretos portugueses e por seus homens de mão. Pois a Guiné era o palco da luta mais avançada nas ex-colônias portuguesas, era preciso travá-la, e apareceu como método para isso, assassinar o seu pilar mais forte, o líder histórico do PAIGC, Amílcar Cabral.
 

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