O Pan-Africanismo e a integração africana
Sexta, 06 de Março de 2015

Prezados amigos, na coluna desta semana ira-se discorrer sobre a primeira etapa do processo de construção da integração econômica africana, o Pan-Africanismo e a Integração ocorrida no final do século XIX e inicios do século XX. 

Antes de mais é de salientar que o movimento pan-africanista contou com a liderança de William E. Burg Hardt du Bois, um de seus principais teóricos, considerado por muitos o pai deste movimento, tendo organizado vários congressos para apoiar o conceito de pan-africanismo até a sua consolidação após a Segunda Guerra Mundial. Até 1945, essa ideia era dominada mais pelos norte-americanos do que pelos africanos. 

Com a realização do 5º Congresso Pan-Africano de 1945, ocorrido na cidade inglesa de Manchester, os africanos assumem a frente do movimento, promovendo diferentes conferências para despertar e conscientizar o espírito nacionalista, sobretudo com o 6º Congresso Pan-Africano realizado em Dar Es Salam (Tanzânia), em junho de 1974, o primeiro do gênero no território africano, e que preconizava a luta contra o imperialismo internacional em todas as suas formas e manifestações na África, o apoio ativo às lutas das minorias negras nos Estados Unidos e Europa, e a independência econômica mediante o conceito de autodeterminação. A partir de então o pan-africanismo deixa de ser uma questão racial para se tornar uma reivindicação política.

De acordo com afirmações de Mbuyi Kabunda Badi, o pan-africanismo pode ser dividido em duas distintas fases: a primeira, conhecida como etapa doutrinária ou era norte-americana, comandada pelas ideias de William E. Burghard du Bois e Marcus Garvey, que defendiam o conceito de uma África unida e com estreita cooperação dos descendentes negros de todas as partes do mundo; a segunda, ou fase dos ativistas e pragmáticos africanos, que defendiam a tese de pôr em prática as doutrinas afro-americanas, ou seja, o pan-africanismo passaria a ser para os africanos uma ideologia política, econômica e cultural.

O movimento pan-africanista pregava a unidade da África como condição sine qua non para alcançar a independência política e, consequentemente, a independência econômica, mas não havia consenso entre as correntes ideológicas existentes sobre o modo de realização da dita unidade, por que: de um lado, encontravam-se os defensores de uma confederação dos Estados africanos e, de outro, os que sustentavam a formação de uma federação entre estes Estados.

Os primeiros apregoavam uma integração funcional, estabelecendo uma simples cooperação econômica entre Estados africanos e se fundamentavam nos princípios de Monrovia. O segundo grupo, defendia a constituição de uma federação de Estados africanos com estabelecimento de um governo supranacional e a supressão das fronteiras herdadas da colonização.

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