A gênese do processo de integração econômica africana – A Organização da Unidade Africana.
Sexta, 20 de Março de 2015

Prezados leitores, como já foi indicada na coluna anterior, a segunda fase do processo de integração regional no continente africano, ocorreu nos anos 60, caracterizada pela sua gênese. Destacar-se-á neste momento a contribuição da OUA.

A ideia da criação de uma Organização da Unidade Africana nasceu em 1957, na festa de comemoração da independência do primeiro Estado negro independente, Gana, na qual os líderes políticos africanos presentes lançaram a ideia de agendar um encontro entre os Estados independentes, com a finalidade de analisar a situação política do continente e traçar uma ação comum para lutar contra a colonização. Nesse sentido foram realizados dois encontros dos Estados independentes: um, em abril de 1958 em Acra, capital de Gana, e outro em junho de 1960 em Addis Abeba, capital da Etiópia. Nessas duas conferências foram discutidos os problemas da colonização, da cooperação econômica entre os Estados africanos e a unidade africana como forma de unir esforços para desencadear uma frente comum contra a colonização e o neocolonialismo que fustigava o continente.

Após essas duas Conferências teve início forte debate sobre o conteúdo político e econômico da unidade africana, culminando com a Conferência de Addis Abeba, em 1963. No discurso de abertura da reunião magna, o imperador da Etiópia, Hailé Selassié, declarou: “Reunimo-nos para reforçar o nosso papel na condução dos assuntos do mundo e para cumprir o nosso dever para com este grande continente no qual temos a responsabilidade por duzentos e cinquenta milhões de habitantes. O conhecimento da nossa história é indispensável para estabelecer a nossa personalidade e a nossa identidade de africanos. Proclamamos hoje aqui que a nossa maior tarefa consiste na libertação definitiva de todos os nossos irmãos africanos que se encontram ainda sob o jugo da exploração e do domínio estrangeiro”.

[...] Reconhecemos que o futuro deste continente reside, em última instância, numa união política; devemos reconhecer também que são numerosos e difíceis os obstáculos a vencer para lá chegar. Por consequência, é inevitável um período de transição... Certas organizações regionais devem assumir funções e satisfazer necessidades que não poderiam ser satisfeitas de outra maneira. Mas o que existe de diferente aqui é que reconhecemos estas situações no seu justo valor, isto é, como sucedâneos e expedientes temporários de que nos servimos até o dia em que tivermos atingido as condições que tornem possível a unidade africana total ao nosso alcance”.

 

O imperador terminou seu discurso com a seguinte recomendação: “[...] esta conferência não pode terminar sem a adoção de uma carta africana única. Não nos podemos separar sem criar uma organização africana una que reúna os atributos que descrevemos... A carta africana de que falamos deve ficar de (em) harmonia com a das Nações Unidas”.

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