A terceira etapa do processo de Integração Econômica Africana
Quinta, 02 de Abril de 2015

Prezados leitores, a terceira etapa do processo de integração econômica africana ocorreu num período de dez anos, entre 1973 e 1983. Iremos neste momento tratar um pouco deste período tão marcante.

Com efeito, durante os primeiros dez anos da sua criação (1963-1973), a Organização da Unidade Africana, abandonou o assunto econômico, muito embora o artigo 20º da Carta da Organização houvesse instituído uma Comissão Econômica e Social responsável pela promoção da cooperação inter-africana. Nesse período a Comissão só se reuniu duas vezes, entrando depois em letargia total. A entidade somente se despertou para os problemas econômicos, até então relegados em segundo plano, após a eliminação de muitos problemas políticos, principalmente em consequência da própria independência política da maioria dos Estados africanos e, sobretudo, com as crises econômicas que os jovens Estados do continente enfrentavam no começo dos anos 70.

Para enfrentar a situação, a OUA introduziu atividades no campo econômico, entrando numa acirrada confrontação com a Comissão Econômica das Nações Unidas para a África a ECA, que detinha o monopólio na área econômica. Essa rivalidade só desapareceu quando a ECA reconheceu que a OUA era “uma organização suprema e responsável para orientar e impulsionar o desenvolvimento econômico e social do continente africano”. A partir de então a ECA passou a se considerar o “engenheiro” do desenvolvimento da África e o “braço” operativo da OUA.

É de salientar que nestes primeiros anos de sua criação, OUA não possuía uma estratégia de desenvolvimento econômico para o continente. Diante dessa lacuna, os Estados africanos adotaram o modelo de desenvolvimento elaborado pelas Nações Unidas por meio da ECA, o qual reforçava a dependência econômica dos países africanos, mantendo-os dentro da divisão internacional do trabalho.

Entretanto, a partir dos anos 70 a OUA, influenciada pela filosofia de fóruns do Terceiro Mundo e pela conferência dos países não-alinhados, empenhou-se em traçar a sua própria estratégia de desenvolvimento, alicerçada no fortalecimento da cooperação interafricana e na promoção das trocas comerciais entre os Estados, ou seja, passou a incentivar a integração econômica regional entre os Estados africanos como meio de atingir o desenvolvimento sustentável.

Assim, foram criadas diferentes organizações regionais, nomeadamente, a Comunidade Econômica da África Ocidental, em 1973, e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, em 1975, a Comunidade Econômica dos Grandes Lagos, na África Central entre outras, em 1979.

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