PLANOS E PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO NO CONTINENTE AFRICANO – O Programa Prioritário para Recuperação Econômica da África 3
Sexta, 15 de Maio de 2015

Prezados leitores, nesta coluna concluiremos com a descrição dos principais pontos deste programa que visa reorganizar o plano de integração e desenvolvimento da economia africana.
Assim, entre os aconselhamentos do PPREA para os Estados africanos enfrentarem e resolverem os problemas, que afundam a economia africana, em âmbito nacional, regional, sub-regional e continental, as seguintes medidas estratégicas: mobilização dos recursos financeiros locais, o uso racional dos empréstimos externos, a redução da dependência da economia africana, o fortalecimento dos acordos sub-regionais e regionais de pagamento e compensação, o fortalecimento das instituições financeiras africanas com o objetivo de financiar os projetos de desenvolvimento nacional, regional e sub-regional, e a organização de uma conferência internacional sobre a dívida externa africana, buscando o parcelamento dessa dívida, a transformação parcial ou total dessa dívida externa em ajuda pública ao desenvolvimento ou doações.
Nota-se que o PPREA, assim como fez o Plano de Ação de Lagos, enfatiza a necessidade de os países africanos fortalecerem a cooperação e solidificação de suas relações comerciais, para fazer valer seus interesses no cenário internacional, caracterizado pela desigualdade das relações de troca. Verifica-se, no entanto, que este programa tomou uma posição mais realista, reconhecendo que não existe condição para um desenvolvimento endógeno almejado, sugerindo neste sentido o abandono de projetos ambiciosos e irrealizáveis em favor de projetos moderados e necessários, que levem em consideração as grandes fragilidades tecnológicas e financeiras africanas sem ignorar a interdependência internacional, sugerindo uma maior aposta no setor privado em detrimento do público.
A 41ª Sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, realizada no mês de maio de 1986, marcou a apresentação do programa á comunidade internacional, favorecendo uma maior compreensão da sendo situação econômica do continente africano, pela Assembléia Geral que estabelece então um Programa de Ação das Nações Unidas para a Recuperação Econômica e o Desenvolvimento da África de 1986 a 1990, pelo qual, de um lado, a África se empenharia em providenciar os meios necessários para o lançamento de programas de desenvolvimento e crescimento socioeconômico autônomo em longo prazo e, por outro, a comunidade internacional apoiaria a África na concretização dos objetivos preconizados pelo PPREA.
Neste sentido, os dirigentes africanos, preocupados com as profundas crises sociais e econômicas do continente em virtude das implicações do programa de ajustamento do FMI e as crises econômicas internacionais, decidem criar a Comunidade Econômica Africana, assunto das próximas colunas.

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