Luíz Silva: militante da Literatura Afro-brasileira
Sexta, 30 de Outubro de 2015

Prezados leitores, na coluna desta semana destacamos a contribuição de Luís Silva na construção da literatura afro-brasileira, uma contribuição qualificada da literatura brasileira, militante, reconhecida nacional e internacionalmente.

Mas antes, vale ressaltar que a militância ativa de Luiz Silva é uma entre tantas outras que se levantaram na luta contra o racismo ainda persistente, utilizando-se como arma a literatura e, consequentemente, a palavra como forma de resistência, criando uma produção diferenciada, com nuanças especificas, baseadas nos elementos culturais africanos como forma de resgate da dignidade de um povo.

Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, nasceu em Ourinhos, interior de São Paulo, em 31 de outubro de 1951. Formou-se em Letras (Português-Francês) na Universidade de São Paulo, em 1980; Mestrado em Teoria da Literatura e Doutorado em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem - Unicamp (1999-2005). Foi um dos fundadores e membro do Quilombhoje-Literatura, grupo paulistano de escritores criado em 1980 que se dedicava a discutir e aprofundar a experiência afro-brasileira na literatura. Também, foi um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros, de 1978 a 1993, série esta nascida no bojo de um incipiente movimento que pretendia dar continuidade à histórica epopeia de uma imprensa negra brasileira.

Para Luiz Silva “democracia racial é uma camisa de força da literatura negra”. Isso porque, conforme ele, a falsa ideia de boa convivência faz parte da ideologia racista e que, para fazer frente a essa situação, a literatura precisa de um forte antídoto nela entranhado e que por isso os autores brasileiros, principalmente os negros, lançaram-se a esse empenho, não por ouvir dizer, mas por sentir, por terem experimentado a discriminação em seu aprendizado.

Destacamos aqui algumas das suas principais obras, nomeadamente: Poemas da carapinha; Batuque de tocaia (poemas); Suspensão (teatro); Flash crioulo sobre o sangue e o sonho (poemas); Quizila (contos); A pelada peluda no Largo da Bola (novela juvenil); Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro; Negros em contos; Um desafio submerso: Evocações, de Cruz e Sousa, e seus aspectos de construção poética (dissertação de mestrado); Sanga (poemas); A consciência do impacto nas obras de Cruz e Sousa e de Lima Barreto (tese de doutorado); Negroesia (poemas); Contos crespos; Moreninho, Neguinho, Pretinho (ensaio educativo); Literatura negro-brasileira (coleção); Quem tem medo da palavra negro (ensaio); entre outros, para além de coautorias com outros escritores.

Aproveito para convidar a todos para o jantar africano marcado para o dia 21 de novembro num sábado, que este ano terá um novo endereço, a sede da OAB de FW.

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