Lima Barreto: rebelde escritor afro-brasileiro
Sexta, 06 de Novembro de 2015

Amigos leitores, nesta semana lhes trago, de forma muito resumida, mais uma contribuição afro-brasileira na construção de uma literatura brasileira militante. O escritor Afonso Henrique de Lima Barreto, que apesar das imensas adversidades – nomeadamente, o racismo que contra ele pesou – deixou um legado, uma contribuição muito importante à literatura brasileira e à luta dos afro-brasileiros pela sua verdadeira emancipação social. 

Filho de um tipógrafo e de uma professora, Lima Barreto nasceu na cidade de Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881 e faleceu em 1º de novembro de 1922. Estudou no Colégio Pedro 2º e após cursou Engenharia na Escola Politécnica. Desde jovem perseguiu o seu sonho de ser escritor, como ele mesmo afirmara na época “Eu quero ser escritor porque quero e estou disposto a tomar na vida o lugar que colimei. Queimei os meus navios, deixei tudo, tudo, por essas coisas de letras”. Teve por duas vezes sua candidatura recusada na Academia de Letras, pois ali só entravam “doutores” e jamais homens como ele. 

Lima transcrevia a revolta contra a sociedade. Por exemplo, o livro “Memórias do Escrivão Isaias Caminha” contém muitos elementos autobiográficos, tendo como personagem central um jovem negro que procura estabelecer sua carreira em um jornal carioca. Para além da crítica ao racismo, a sua revolta era igualmente contra muitas ideologias dominantes da época, como é o caso do positivismo, inspirador da república dos marechais, contra os valores da classe dominante, entre outros. Ele defendia que a literatura era grande pelas articulações de sua forma ao conteúdo social do qual trata, aquilo que tem a dizer e defendia uma literatura que aborde as questões sociais, que traga ideias, concepções de mundo contra aquela literatura que ele denominava de “perfumaria”.

O conceito de militante não era o de uma literatura politicamente engajada em luta contra as injustiças sociais, como poderia parecer. E, nesse sentido afirmava que “Em vez de estarmos aí a cantar cavalheiros de fidalguia suspeita e damas de uma aristocracia de armazém por atacado, porque moram em Botafogo ou Laranjeiras, devemos mostrar nas nossas obras que um negro, um índio, um português ou um italiano se podem entender e se podem amar, no interesse comum de todos nós”.

O escritor afro-brasileiro Afonso Henrique de Lima Barreto foi um que nunca esqueceu sua classe, sua cor, sua origem. Produziu e deixou uma obra de dezesseis volumes, entre crônicas, ensaios e contos, crítica literária, memórias e uma vasta correspondência, contra todas as adversidades que se colocaram em seu caminho. Mesmo tendo sido internado em um manicômio, tendo sofrido de alcoolismo, tendo morrido jovem, com apenas 41 anos, deixou-nos uma obra fundamental, um marco da literatura brasileira.

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