Quilombos: conceito e origens
Sexta, 20 de Novembro de 2015

Prezados leitores deste nosso prestigiado jornal, nesta semana dedicada ás comemorações do dia 20 de novembro, data do desaparecimento físico de um dos maiores líderes brasileiros, que lutou pela emancipação de um povo e pela construção de um país mais justo, democrático e independente, dia da Consciência Negra, trazemos aqui o significado e importância dos Quilombos, um exemplo de convivência social entre os povos brasileiros, num território livre e independente, que marcou a história deste país.

Neste sentido, vale ressaltar que a temática relativa a questão dos Quilombos foi tratada com maior frequência na academia e nas áreas jurídica, política e social, a partir da sua proclamação na Constituição de 1988 artigo 68º que, mais tarde, é reafirmado através de decreto em 2003. No entanto a sua existência era realidade desde a época do Brasil colônia, tendo-se iniciado estudos numa perspectiva histórica a partir do século XX.

Segundo Kabengele Munanga, antropólogo africano, a palavra “quilombo” tem origem africana, mais concretamente dos povos Bantu, “Kilombo”. Contam as tradições orais da história africana que no século XVII o príncipe Kimbinda Ilunga, de outro grupo étnico, chega a uma aldeia Bantu governada pela Rainha Rweej e posteriormente se casa com ela e, como na tradição daquele povo a rainha é impedida de governar a aldeia no período menstrual, o seu marido acabou por assumir o poder, provocando descontentamento e muitas revoltas nos súbditos. Foi então que um dos príncipes do reino junta seus guerreiros, abandona a aldeia e funda um Kilombo, bem estruturado, com grande número de guerreiros e uma forte disciplina militar, transformando-se numa forma resistência ao poder estabelecido na aldeia. 

Em termos conceituais, conforme Almeida (2002), no ano de 1740 o Conselho Ultramarino português define quilombo como sendo: “toda habitação de negros fugidos, que passe de cinco, em parte despovoada, ainda que não tenham ranchos levantados e nem se achem pilões nele”. O autor ressalta que a designação de quilombo utilizada durante o Período Colonial possuía cinco elementos: a fuga; o número mínimo de fugitivos; o isolamento geográfico; o rancho como espaço de moradia e por último, o autoconsumo e a reprodução, representados pelo uso de pilão. 

Porém, o autor argumenta que esta definição não condizia com a realidade do período, pois o quilombo era uma unidade produtiva com roças e benfeitorias baseada no trabalho familiar e em diversas formas de cooperação entre as diferentes famílias, portanto não eram isolados, visto que realizavam o comércio com outras regiões. Neste sentido, Gomes (2006), argumenta que havia uma “hidra no recôncavo da Guanabara”, quase indestrutível que mantinha relações econômicas e pessoais com outros mocambos, comunidades de senzalas, taberneiros e até com as autoridades locais. 

Quero mais uma vez convidá-los para o Jantar Africano da Associação Cultural ATENA, a se realizar neste sábado na OAB, em Frederico Westphalen.

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