A conferência de Berlim e a partilha da África
Sexta, 26 de Fevereiro de 2016

Prezados leitores, o processo de divisão do continente africano pelas potências europeias é conhecido pelo nome de partilha da África e um passo decisivo para tal ocorreu entre os anos de 1884 e 1885 na dita Conferência de Berlim concluída em 26 de fevereiro de 1885. Dada a importância do fato na historia dos povos africanos, é o assunto da coluna desta semana.

O interesse das potências europeias pela África teve início muito antes desse encontro. No início, para além das atividades comerciais desenvolvidas na costa com os povos locais, enviavam regularmente expedições científicas, militares e religiosas em áreas ainda desconhecidas, preparando o terreno para a ocupação. Destacam-se nessa atividade Inglaterra, França, Portugal, Alemanha, Itália, Bélgica e Espanha. Essa fase é também conhecida como “corrida colonial”.

Assim, a partir do século 15, os portugueses já haviam chegado aos arquipélagos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, as costas do Senegal, da Guiné, posterior a praticamente toda a costa ocidental e oriental do continente, incluindo as regiões dos atuais países lusófonos, Angola e Moçambique; os britânicos ocupavam partes da atual África do Sul, do Egito, Sudão e Somália; os franceses se estabeleceram em partes do atual Senegal e da Tunísia e os italianos marcavam presença na Atual Eritreia.

As principais razões para a realização da conferência são, nomeadamente, a intenção do Rei Leopoldo II da Bélgica de criar uma colônia na região do Congo, cobiçada por outros países; a pretensão portuguesa em ocupar uma faixa territorial que ligava Angola e Moçambique, regiões que interessavam países muito mais poderosos que Portugal; o expansionismo francês, que pretendia ocupar toda a África do Norte e as intensões inglesas de fazer dos rios Congo e Níger uma área de livre navegação em função de seus interesses comerciais. Era necessário criar regras para evitar conflitos entre eles. 

A conferência de Berlim, da qual participaram 14 países, definiu assim algumas regras da ocupação, que deveriam ser respeitadas por todos, como forma de se conseguir administrar as suas atividades coloniais no continente como: assegurar o comércio livre nas bacias dos rios Congo e Níger; apoio às intenções de Leopoldo II em criar o Estado Livre do Congo, e o reconhecimento da soberania somente para quem ocupasse efetivamente o território reclamado.

Após a conferência, a partilha da África foi intensificada e mais de 90% do continente foi ocupado. Essa apropriação não apenas provocou mudanças profundas no dia a dia, nos costumes, na língua e na religião dos vários grupos étnicos que ali viviam, mas também criou fronteiras que ainda hoje são responsáveis por tragédias militares e humanitárias.

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