A independência da República de Gana
Sexta, 04 de Março de 2016

Prezados amigos leitores deste nosso prestigiado jornal regional, na coluna desta semana estamos a compartilhar a comemoração da reconquista da independência de Gana obtida no dia 6 de março de 1957.

Mas antes, vale destacar que em termos históricos, a região da atual Gana é a mesma dos povos dos outros países vizinhos da região ocidental da África, sobretudo entre a atual Guiné até a Nigéria, pois partilharam durante séculos da mesma civilização. Nos meados do século 13, vários grupos migratórios oriundos da região do Sahel criaram pequenos reinos na região. É o caso dos Songai, Kanem-Bornu e Haussa, estendendo-se do norte ao sul, ao longo do Rio Volta até a costa, junto ao Oceano Atlântico.

Em 1695 os Ashanti unificaram a maioria desses pequenos reinos em apenas um, poderoso, com capital em Kumasi, tendo governado a região por mais de dois séculos. Foi um reino muito próspero, tendo um desenvolvimento agrícola muito acentuado, assim como o artesanato e a exploração dos minerais. As trocas comerciais eram feitas com os mercadores árabes e os principais produtos eram, nomeadamente, marfim, ouro e sal.

Os portugueses foram os primeiros europeus a chegarem à costa do atual Gana em 1471, tendo de início desenvolvido com os povos locais o comércio de produtos como o marfim, a pimenta e o pó de ouro. Dada a grande quantidade de ouro encontrada, os portugueses a denominaram de Costa Dourada. Consequentemente, essa riqueza acabou por atrair mais europeus, como ingleses, holandeses, suecos e dinamarqueses, tendo eles, por volta do século 18, estabelecido na costa uma longa cadeia de fortes.

Com a descoberta das Américas e o início das plantações, o comércio de produtos foi substituído pelo comércio de escravos que era mais lucrativo, havendo muitos conflitos entre eles pelo domínio do negócio. Em 1868, o Reino Unido era a principal força dominante, tendo enfrentado a resistência dos povos locais, sobretudo dos Ashanti.

Consequência da resistência a dominação colonial e, percebendo que era necessário envolver os africanos em seu sistema para assim conseguirem manter a ordem social, os ingleses começaram a integrá-los na sua administração por intermédio dos governos tradicionais. Paulatinamente os africanos foram tendo maior voz no governo, exercendo pressão política e organizando movimentos sociais e políticos pró-independência.

Como resultado, no dia 6 de março de 1957 a República de Gana consegue a independência e é o primeiro país do continente a conseguir este feito, sendo a partir de então um exemplo para os outros. Kwame Nkrumah, o principal líder das nascentes forças libertadoras do continente – e do movimento Pan-Africano – seria consagrado o primeiro presidente do país. Foi um dia histórico e de muita emoção para os povos africanos.

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