As guerreiras do reino de Daomé
Sexta, 11 de Março de 2016

Prezados amigos leitores, nesta semana de comemoração do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, estamos a trazer para seu conhecimento o exemplo africano de mulheres que pegaram em armas na luta contra a colonização estrangeira, as mulheres guerreiras do Reino de Daomé, atual Benin.

Este reino foi fundado no século 17 tendo durado até 1900, quando foi conquistado por tropas conjuntas da França e do Senegal Colônia. Derrotado, Daomé é incorporado ao Império Colonial francês da África Ocidental. A cidade de Abomei, antiga capital do reino, foi, desde 1985, proclamada pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.

Segundo a história, a formação militar das mulheres no Reino de Daomé teve início no reinado de Houegbadja (1645 e 1685), quando este autorizou o treinamento militar de mulheres como caçadoras-elefantes. No século 18 foi iniciado o treinamento de esposas reais para atuarem como guarda-costas do rei. Mais tarde, as guarda-costas foram transformadas em milícias, tendo participado na guerra contra o vizinho Reino de Savi, em 1727. As milicianas ganharam reputação de guerreiras destemidas com boa desenvoltura no campo de batalha.

A partir de então a seleção das mesmas era feita na mais tenra idade e eram treinadas para a guerra, servindo como tropas de elite. O treinamento era árduo, tornando-as preparadas a extinguir o medo, aptas a enfrentar a dor, não temendo a morte e sendo extremamente leais. Manejavam diferentes tipos de armas, nomeadamente, fuzis, cutelos, e espadas, e tinham uniforme próprio. Na época, já comportavam entre 4.000 e 6.000 mulheres, cerca de um terço de todo o exército do reino.

Com a intensificação da invasão europeia ao continente a partir da segunda metade do século 19, o rei Behanzin, para defender o seu reino, em 1890, começa a combater os invasores franceses. Na resistência, a mulher daomeana teve um papel fundamental, pois devido ao seu preparo, era a mais preparada para a defesa. Foi assim que em 18 de agosto de 1892, ao descobrirem os intentos do inimigo, essas valorosas combatentes atacaram de surpresa as tropas invasoras com valentia e intrepidez na arte da guerra, tendo desferido pesadas baixas ao inimigo.

O exército francês perdeu várias batalhas contra o Reino de Daomé, graças à habilidade das mulheres guerreiras no campo de batalha, e só conseguiram vencer após várias batalhas, pelo fato de utilizarem armamento tecnologicamente superior, incluindo metralhadoras, cavalaria e infantaria da Marinha e, sobretudo, por conseguirem reforços provenientes da Legião Estrangeira. Gloria eterna às guerreiras do Reino de Daomé, heroínas da África, exemplos de patriotismo, virtude e abnegação.

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