1º Festival Mundial das Artes Negras 1
Sexta, 01 de Abril de 2016

Prezados leitores, na coluna desta semana estamos a trazer um pouco do que foi o primeiro e histórico encontro de artistas negros realizado entre março e abril de 1966 na cidade de Dacar, capital da República do Senegal.

Com o propósito de difundir e preservar a arte africana e mostrar ao mundo o valor da criatividade, apesar de todo o processo de colonização, tendo como sentido primordial, conforme Abdias do Nascimento, de “marcar o momento da conquista da independência dos países africanos com uma homenagem ao papel de sua cultura, mundialmente difundida, como catalisadora do processo libertário”, foi realizado em Dacar, entre os dias 20 de março a 23 de abril de 1966, o 1º Festival Mundial de Artes Negras, organizado pelo Governo da Republica do Senegal em conjunto com a UNESCO.

Idealizado pelo então presidente do Senegal, Léopold Sédar Senghor, e sendo a maior reunião de artes e da cultura negra do mundo, tinha como tema “O significado das artes e cultura negra na vida dos povos e para os povos”. Neste encontro participaram delegações de 37 países africanos e de outros continentes, como foi o caso do Brasil e dos Estados Unidos.

Na sessão de abertura do festival, o presidente senegalês, em seu discurso, exaltou a “Negritude”, procurando demonstrar a originalidade dos valores da civilização e da arte negra, defendendo a tese de que a arte negra continuava viva e atual, a preencher as suas funções, expressando a vida, dando-lhe sentido e ajudando os homens para uma vida melhor. A arte fora capaz de, em terras outras que não as africanas, conservar-se e renovar-se sobre suas próprias raízes, como se deu, por exemplo, nos Estados Unidos, exaltando com isso Sedar Senghor aos artistas negros africanos, que buscam hoje revivificar suas obras de arte nas fontes da história e das tradições dos povos negros.

Nesse sentido, defendeu a necessidade de "Sermos nós mesmos, cultivando nossos valores próprios, tais como os encontramos nas fontes da Arte Negra: aqueles situados além da unidade profunda do gênero humano, porque nascidos de fatores biológicos, geográficos e históricos, e que constituem a marca da nossa originalidade no pensamento, no sentimento e na ação. Sermos nós mesmos, não sem contribuições alheias, mas não por procuração e sim pelo nosso próprio esforço pessoal, em suma, por nós mesmos".

Para finalizar, exortou todos os povos negros a abandonarem o espírito de imitação, dominante durante o período colonial, e a procurarem o espírito criador que caracterizou a arte negra durante milênios, dando aos povos africanos antigos a categoria de autênticos produtores de civilizações, uma vez que no novo humanismo do século 20 e agora 21, não poderá faltar a contribuição de um único povo, de uma única raça, de um único Continente, no caso específico a dos povos negros.

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