Influência das línguas africanas no português brasileiro –
Sexta, 28 de Outubro de 2016

Prezados amigos, em virtude das comemorações do dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, vamos tratar nesta e nas próximas colunas sobre a influência das línguas africanas na formação do português falado no Brasil.

Neste quadro, iniciamos definindo que a língua de um povo é o reflexo dele mesmo, vertido em sons e palavras, com a qual o mesmo se expressa e manifesta sua existência. Assim, o português falado no Brasil é o resultado de diversas vivências dos diferentes povos que formaram a sua população, entre eles os povos africanos.

Vale neste sentido destacar que, no caso das populações africanas, foi uma existência difícil, carregada pelos braços hostis da escravidão e, por isso mesmo, rica, forte e poderosa por incutir na cultura do colonizador, dar-se com ela e sintetizar o que hoje conhecemos como genuinamente brasileiro, um verdadeiro pilar da identidade do Brasil, embora esta influência passasse despercebida e sua importância fosse pouco valorizada. Entendemos que tanta riqueza não deve manter-se escondida, é preciso tê-la sabido e dar-lhe o prestígio que merece.

Como é do conhecimento geral, a vinda do negro para o Brasil está diretamente relacionada com a questão da mão de obra empregada pelos portugueses na colônia, no intuito de tirar o máximo de lucro e contornar a escassez populacional, e que, para tal, precisou-se recorrer ao trabalho escravo. Assim, do século 16 ao século 19, o tráfico transatlântico trouxe em cativeiro para o Brasil de quatro a cinco milhões de falantes africanos, originários, principalmente, de duas regiões da África subsaariana: banto, situada ao longo da extensão sul da linha do Equador, e a região Oeste africana ou “sudanesa”, que abrange territórios que vão do Senegal à Nigéria.

A região banto é constituída por um grupo de 300 línguas semelhantes, no entanto as de maior número de falantes no Brasil foram o quicongo, o quimbundo e o umbundo. Sua principal característica é o sistema de classes que funciona por meio de prefixos que se ordenam, em pares, para exprimir a oposição singular e plural dos nomes, o aumentativo, o diminutivo, o locativo, o infinitivo dos verbos, permitindo ainda delimitar o sentido desse mesmo nome.

Em relação às línguas oeste-africanas ou sudanesas, as mais importantes foram as línguas da família kwa, faladas no Golfo do Benim. Seus principais representantes no Brasil foram os iorubás e os povos de línguas do grupo ewe-fon, que foram apelidados pelo tráfico de minas ou jejes. Apesar de suas notáveis diferenças, as mesmas têm uma origem comum que é a grande família linguística Níger-Congo, sendo por isso línguas aparentadas.

Comentários