Influência das línguas africanas no português brasileiro - IX
Sexta, 17 de Fevereiro de 2017

Prezados amigos, nesta coluna vamos concluir momentaneamente a tratar sobre a influência das línguas africanas na formação do português falado no Brasil. Esperamos ter contribuído para uma compreensão do que foi a contribuição dos povos africanos para que o Brasil tenha uma língua portuguesa a sua cara e identidade.

Como foi destacado nas colunas anteriores, explicar o avanço do componente africano nesse processo de formação linguística é ter em conta sua participação como personagem falante no desenrolar dos acontecimentos e procurar entender os fatos relevantes de ordem socioeconômica, cultural e linguística que, ao longo de quatro séculos, favoreceram a influência de línguas africanas no português aqui falado. E como foi salientado, essa influência se manifestou em todos os setores: léxico, semântico, prosódico, sintático e, especialmente, na fala.

Isso nos leva à conclusão de que o português brasileiro descende de três famílias linguísticas, nomeadamente, a família Indo-Europeia com origens euroasiáticas, da qual a língua portuguesa faz parte; a família tupi, de línguas faladas pelos indígenas brasileiros e sul-americanos; e a família Níger-Congo que se originou da África ao sul do Saara. Significando isso que os povos indígenas e africanos marcaram profundamente a cultura do colonizador lusitano estabelecido neste país, provocando o surgimento desta variação linguística genuinamente brasileira.

Entretanto, as razões ou causas de haver poucos estudos sobre as contribuições dos africanos são as mais diversas possíveis e, infelizmente, algumas delas estão intimamente ligadas ao preconceito racial, ainda bastante forte, aliando-se a isto a relativamente pouca bibliografia e documentação que registre, com precisão, o real papel da cultura africana na formação da cultura nacional brasileira, aí incluídos os aspectos linguísticos.

No seu último trabalho sobre os falares africanos e a língua portuguesa, Yeda Castro, entre outras conclusões, diz que: O influxo de línguas negro-africanas no português do Brasil não se limitou aos aportes de vocabulário, porque foi mais profundo do que se admite como parte do processo de configuração do perfil da língua falada no Brasil e das diferenças que a afastaram do português falado em Portugal. O grau de resistência oferecido à mudança e à integração pelos diferentes povos africanos que foram transplantados para o Brasil durante a escravidão é decorrente de fatores históricos, sociais e econômicos que lhes foram mais ou menos favoráveis e não devido à superioridade de uma determinada cultura sobre outras, como se tem pretendido.

Antes de concluir, quero informar que as fontes de dados que serviram de base para a publicação deste tema foram principalmente os estudos realizados pela estudiosa Yeda Pessoa de Castro, intitulado: A influência das línguas africanas no português brasileiro; e dos pesquisadores: Julia T. Yoshino, Luciana Soga, Marília Reis e Raquel Nakasche, cujo título de produção é, A influência das línguas africanas no português do Brasil. São trabalhos muito ricos em informações sobre o tema.

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