A relação entre língua, cultura e sociedade
Sexta, 03 de Março de 2017

Prezados leitores, nesta coluna vamos começar a tratar de um tema que consideramos muito importante. A relação entre língua, cultura e sociedade, para a construção de uma identidade cultural, de uma nação e de relações interculturais.

Começamos indicando que a vida do ser humano está fortemente associada ao processo de comunicação, e o constante aprimoramento da capacidade comunicativa acompanha a própria evolução humana. Pois, à medida que amplia seu relacionamento com o mundo, o ser humano aperfeiçoa e multiplica a sua capacidade de comunicação, envolvendo palavras, sons e imagens. Neste quadro, textos verbais e não-verbais interagem e contribuem para a representação oral e escrita das sociedades, e, por conseguinte, a língua é um código desenvolvido pelo homem para a transmissão de pensamentos, de ideias, para a interação entre as pessoas.

Nesta perspectiva, Cereja e Magalhães (1999, p.07) defendem que a língua pertence a todos os membros de uma comunidade. Como ela é um código aceito convencionalmente, um único indivíduo não é capaz de criá-la ou modificá-la. [...] A língua evolui, transformando-se historicamente. Por exemplo, algumas palavras perdem ou ganham fonemas, outras deixam de ser utilizadas; novas palavras surgem, de acordo com as necessidades, sem contar os “empréstimos” de outras línguas com as quais a comunidade mantém contato. Ou seja, a língua seria um código mutável que integra as relações humanas e que, ao mesmo tempo em que sofre modificações, participa das mudanças nas sociedades. Sendo um patrimônio social, é delegada a ela a responsabilidade pela preservação dos conhecimentos e a sua transmissão às gerações vindouras.

Assim, quando numa determinada sociedade uma língua se transforma no meio específico de intercomunicação entre os indivíduos desta coletividade, ela contribui significativamente no fortalecimento dos laços internos da comunidade, tornando-se patrimônio coletivo de seus membros. Sendo portanto uma entidade social, a língua, conforme Lopes (2001, p.58), é definida como sendo um conjunto de regras fonológicas, morfológicas, sintáticas e semânticas, que determinam o emprego dos sons, das formas e relações sintáticas, necessárias para a produção dos significados. Elia (200, p. 28), defende por seu turno que a língua seria, necessariamente, o falar de uma comunidade, estruturalmente diferenciado, portador de apreciável tradição cultural e reconhecido oficialmente por um Estado como forma de comunicação em suas relações internas e externas.

Enfim, o caráter social de uma língua pode ser entendido como sendo um sistema de signos convencionais que são facultados aos membros de uma sociedade para a possibilidade de comunicação, constituindo-se hoje, nas relações humanas, o papel mais importante. Esse seu caráter social é facilmente perceptível, se levamos em conta que a língua existe antes de nascermos e mesmo quando deixarmos de existir ela continuará existindo. Iremos aprofundar um pouco mais este tema nas próximas colunas.

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