A relação entre língua, cultura e sociedade (parte 3)
Sexta, 31 de Março de 2017

Prezados leitores, na coluna desta semana vamos seguir tratando da relação entre língua, cultura e sociedade. Vamos tratar especificamente de algumas reflexões sobre as definições conceituais de língua, para entendermos melhor a sua interpretação.

Nestes contextos, quero, desde já, destacar a definição sugerida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (1998, p. 19), em que se salienta que o domínio da linguagem, como atividade discursiva e cognitiva, e o domínio da língua, como sistema simbólico utilizado por uma comunidade linguística, são condições de possibilidade de plena participação social. Pela linguagem, os homens e as mulheres se comunicam, têm acesso à informação, expressam e defendem pontos de vista, partilham ou constroem visões de mundo, produzem cultura.

Também em Brandão (2002), encontramos uma perspectiva semelhante, pois, de acordo com a autora, a linguagem é considerada um “elemento de mediação necessária entre o homem e sua realidade e como forma de engajá-lo na própria realidade” (p.12). Segundo a pesquisadora, a linguagem - identificada como lugar de conflito e de confronto ideológico - não deve ser estudada fora do ambiente social, haja vista que sua constituição se dá através de processos histórico-sociais.

Em outro documento apresentado pelo Ministério da Educação, a linguagem é vista como a capacidade humana de articular significados coletivos e compartilhá-los, em sistemas arbitrários de representação, que variam de acordo com as necessidades e experiências da vida em sociedade. Dessa forma, podemos atribuir à língua a responsabilidade de construção e “desconstrução” dos significados sociais, o que nos leva a situá-la no emaranhado das relações humanas.

Na atualidade, vivenciamos um cenário protagonizado pelas transformações econômicas e culturais, o dinamismo do mercado de trabalho e a revolução causada pelo desenvolvimento tecnológico, principalmente nos últimos vinte anos, que causaram inúmeras e profundas mudanças na sociedade brasileira e mundial, trazendo consigo novas demandas que conferem, por exemplo, a leitura e a escrita importância nunca antes alcançada. No entanto, em mundo no qual a aquisição de informação torna-se um diferencial significativo, não basta mais somente aprender a ler e a escrever, é preciso ir além, fazer uso da língua como prática social, um “instrumento” que nos permite interagir e nos situar em nossa vida cotidiana.

Enfim, se o desenvolvimento depende diretamente da língua, será que chegaríamos ao nível de desenvolvimento onde nos encontramos: a ciência cada vez evoluindo mais, a sociedade entendendo suas necessidades e procurando saná-las, tudo isso seria possível sem a existência da língua? Não. Pois há um fator que forma a sociedade: o homem. E há um elo entre o homem e seu habitat, algo que liga os homens: a língua.

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