A relação entre língua, cultura e sociedade (parte 4)
Quinta, 13 de Abril de 2017

Prezados leitores, na coluna desta semana vamos seguir tratando da relação entre língua, cultura e sociedade. Vamos tratar de alguns pontos de vista relativos a essa relação dentro de uma sociedade, de uma nação.

Face ao que já destacamos nas colunas anteriores, entendemos, por exemplo, que a identidade de um país se manifesta na língua e na cultura, e que das duas, a língua é aquela percebida primeiro, pois representa a parte mais visível, o uso de estruturas gramaticais e construções linguísticas, a base do ensino da língua. Entendemos, igualmente, que a língua representa apenas uma parte do todo, que é a formação do conhecimento do indivíduo. A outra parte, menos vista e mais difícil de ser alcançada é a cultura, que reflete toda uma maneira de organizar e interpretar o mundo, própria de um grupo social, característica de uma comunidade.

Por essa razão, e considerando a cultura como um conhecimento transmitido socialmente e compartilhado por um grupo de pessoas, e a língua como um fenômeno social usado para transmitir informações impregnadas de significado a outros indivíduos, acreditamos que dificilmente língua e cultura podem ser separadas. Como diz Chiavegatto (1991), “o saber que os falantes possuem não só das formas da sua língua, mas de suas próprias condições de uso e de adequação dos enunciados sócio comunicativos que se apresentam considerando a cultura em que se manifestam”. Em outras palavras, a interação entre os falantes de uma língua dá-se sob o suporte da sociedade e da respectiva cultura que envolve esses falantes. Pois, as línguas são herdadas e transmitidas de uma sociedade para a outra sociedade, juntamente, com as culturas que lhes dão suporte.

Por isso mesmo, devemos entender que quando uma pessoa endereça a fala ou a escrita a alguém, leva-se em consideração não só o contexto a fim de adequar o registro da língua, o tipo de postura, de vestimenta etc.; como também as características do interlocutor para preservar a face de ambos implicados numa dada interação. O princípio da preservação de faces é fundamental numa interação, pois cada povo com sua língua possui regras culturais que estabelecem como cada indivíduo deve conduzir no convívio social. Por isso mesmo, falar de uma língua não significa apenas expressar os pensamentos mais interiores e originais, significa, também, ativar a imensa gama de significados que já estão embutidos no sistema cultural da dada comunidade, sociedade.

Essa relação intrínseca entre língua, cultura e sociedade, constitui arranjo fundamental nas atividades cotidianas de nossas vidas. Dessa forma, as mudanças ocorrem, tanto na cultura quanto na língua, seja por eliminação, acréscimo ou modificação de elementos. Não é uma coisa voluntaria, acontece sem que se perceba, de forma ininterrupta. É por isso que se diz que ninguém modifica a língua isoladamente, ela pertence ao conjunto de falantes e responde por seus comportamentos sociais, culturais, morais e éticos.

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