A Trajetória histórica do Conflito árabe-israelense - parte 1
Sexta, 12 de Setembro de 2014

Amigos leitores desta coluna, dada a importância de entendermos e de termos um posicionamento esclarecido em relação a várias situações de conflitos que afligem o nosso mundo, estou a trazer aqui e nas próximas colunas elementos que traduzem as razões do longo, triste e sangrento conflito entre árabes e israelenses.

A chamada Terra Santa, a Terra da Promissão da Bíblia, é geograficamente bem pequena, tendo aproximadamente 30 mil km², estendendo-se verticalmente do sul do Monte Líbano até o Deserto de Neguev e horizontalmente das costas do Mar Mediterrâneo até as margens do Rio Jordão, que depois de alimentar o Lago da Galileia, deságua no Mar Morto. Em termos econômicos, apesar de ser apontada pelos antigos profetas como a terra do maná, onde o alimento caía do céu, a escassez sempre foi comum. As poucas áreas agrícolas existentes, devido à raridade das chuvas, permitiam uma modesta colheita de grãos e as áreas pedregosas, e elevadas, foram usadas ao longo da história para a criação de cabritos e ovelhas.

Se a região, sob o ponto de vista econômico, material, foi sempre modesta, não tendo minas de ouro ou de mármore, nem sequer poços de petróleo, o mesmo não se aplica ao que ela representou na imaginação religiosa e sobrenatural dos homens. Não há, nem nunca houve, em mais de 5 mil anos de história, um território tão disputado e tão conflagrado como a área da Palestina e do antigo Reino de Israel. Por séculos afora os deuses e os profetas das mais variadas origens e procedências lutaram entre si, em impressionantes e sangrentas batalhas teológicas, pela conquista dos corações e das mentes dos homens, fazendo daquelas terras abrigo de maravilhas mas também de fanatismos e intermináveis discórdias entre os povos semitas, os descendentes de Abraão. 

O atual conflito israelo-árabe ocorre desde o final do século 19, com repercussões e importância internacional, após a desagregação do Império Otomano em 1917. O conflito árabe-israelense tem diferentes motivos, sendo que o principal deles é a reivindicação de direitos sobre o território da Palestina por parte de israelenses e palestinos que, segundo cada um destes povos, possuem direito milenar sobre a região. A autodeterminação do estado de Israel em 1948, o relacionamento conflituoso com seus vizinhos árabes, sobretudo com o povo palestino que não reconhece o estado Israelita e a não aceitação por Israel do estabelecimento do estado palestino justificam a manutenção do conflito até aos nossos dias.

Outros motivos referem-se à cultura e à imposição de valores ocidentais às tradições orientais, a questão econômica, que diz respeito ao desejo das potências capitalistas de estabelecerem um ponto estratégico na rica região petrolífera do Médio Oriente e o fator político. Este conflito resultou no início de, ao menos, cinco grandes guerras, um número significativo de conflitos armados e duas Intifadas.

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