A Trajetória histórica do Conflito árabe-israelense - 2
Sexta, 19 de Setembro de 2014

Amigos leitores prosseguindo com a descrição histórica deste conflito que marcou e marca gerações e gerações de árabes e israelenses, vamos a partir desta coluna trazer alguns de seus registros marcantes. 

Mas antes recordemos que historicamente, os antigos judeus desde os tempos bíblicos chamaram sua terra de Israel, Canaã, Judeia, Samaria, Galileia entre outros nomes. Hoje ainda, judeus e alguns cristãos, acreditam que, de acordo com a Bíblia e a Tora, Deus deu esta terra para os antigos judeus também conhecidos como hebreus ou israelitas, liderados por homens como Abraão, Moisés, David. Entretanto, há cerca de 2.000 anos atrás, o Império Romano dominara esta área, tendo suprimido várias rebeliões judaicas, destruindo seus templos na cidade de Jerusalém, mudado o nome de Israel para Palestina e forçando os sobreviventes a deixarem sua terra natal.

A Palestina em tempos mais recentes caíra no controle do Império Turco Otomano a partir de 1516, quando ficou sob administração da Sublime Porta até o ano de 1918. Ocasião em que, ao final da Primeira Guerra Mundial, os exércitos turcos foram obrigados a recuar frente a ofensiva anglo-francesa, amparada pela revolta das tribos árabes. Toda aquela parte do Oriente Médio caiu então sob controle dos novos vitoriosos.

Os Tratados de Paris de 1919, reafirmados pelo Tratado de Sèvres, de 1920, referendaram a partilha entre o Império Inglês e o Império Francês, que dividiram as antigas possessões turcas entre si. Durante os trinta anos seguintes, ignorando os desejos de autodeterminação dos povos árabes, eles governaram a região a título de Protetorado, para tentar disfarçar a ocupação colonialista do Oriente Médio. 

Durante mais de vinte anos os árabes viram-se frustrados no desejo de conseguirem a emancipação política do chamado Retângulo Árabe. Em 1915, eles haviam obtido garantias do alto-comissário inglês do Egito, de que a Grã-Bretanha estava disposta a reconhecer e apoiar a independência dos Árabes, em troca do apoio que as tribos árabes, dariam na guerra contra o Império Turco. A mesma garantia os ingleses deram à comunidade judaica por meio da Declaração Balfour, de 9 de novembro de 1917, dizendo ver com toda a simpatia a instalação de um Lar Nacional Judeu na Palestina.

Porém, ao mesmo tempo em que davam essas garantias a árabes e judeus, ingleses e franceses tramavam outra coisa: em 1916, às escondidas do mundo, e em total desacordo com as promessas feitas, dois diplomatas, representando os dois impérios, assinaram um acordo: o Acordo Sykes-Picot que dividia a Turquia asiática entre eles. 

A Grã-Bretanha reclamava o controle da Palestina e da Mesopotâmia, enquanto que a França ficava com o Líbano e a Síria. Como não poderia deixar de ser, uma série de amotinamentos começaram a conflagrar todo o Oriente Médio, quando ocorreram violentas rebeliões árabes contra o domínio anglo-francês. 

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