A Trajetória histórica do Conflito árabe-israelense - parte 3
Sexta, 26 de Setembro de 2014

Amigos leitores prosseguindo com a descrição histórica deste conflito que marcou e marca gerações e gerações de árabes e israelenses, vamos trazer aqui um breve resumo das razões e consequências da fundação do Estado de Israel.

A fundação do estado de Israel pelas Nações Unidas em 1947, com o apoio dos Estados Unidos e da URSS, é uma resposta à grande tragédia do século que foi o Holocausto da população judaica europeia nas mãos dos nazistas. Pois, durante os anos de 1941 até 1945, aproximadamente 6 milhões de judeus pereceram nos campos de extermínio erguidos pelos seguidores de Hitler. Este genocídio em massa abriu as portas para que o Ocidente, em aliança com a União Soviética, chocados com a extensão do horror gerado pelo antissemitismo, entendessem ter chegado a hora de permitir aos judeus sobreviventes do massacre a instalação de um estado seu na Palestina. 

Seria igualmente uma forma de pôr fim as tumultuadas relações entre cristãos e judeus desde séculos e também tentar compensar e reparar o êxodo do povo judeu, determinado pelo general romano Tito no ano 70. Assim, por determinação da Resolução 181 tomada pela Assembleia Geral da ONU, na sessão do dia 29 de novembro de 1947, por 33 votos contra 13, a Palestina seria partilhada entre judeus e árabes palestinos que formariam, a partir de agosto de 1948, uma federação procurando formar um denominador econômico em comum. 

A resolução determinou que ambos os estados deveriam se comprometer em cumprir as seguintes cláusulas: 1) respeitar a integridade dos lugares santos, dos edifícios e dos sítios religiosos, sem lhes causar nenhum tipo de dano; 2) direito à liberdade de consciência e de culto, respeitando o direito das minorias; 3) acatar que todos os residentes na Palestina têm direito à cidadania e são cidadãos dos respectivos estados onde moram; 4) e que qualquer desavença entre eles será dirimida pela Assembleia Geral da ONU. 

A Resolução 181 foi imediatamente rejeitada por todo o mundo árabe. Os palestinos entenderam a fundação de um Estado Judeu como o prolongamento da ocupação colonialista por outros meios. Saíram os britânicos e chegaram em massa os judeus da Diáspora, apoiados pelos americanos e pelos soviéticos. O resultado disso é que eles perderam suas terras, tendo que se dispersarem pelas regiões vizinhas, ou sendo confinados em territórios ou em 59 acampamentos muito exíguos, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. 

Se os judeus tiveram que sobreviver no seu passado recente o terrível experimento do Holocausto, os palestinos passaram a chamar o surgimento do Estado de Israel - de Nakba, a Catástrofe. Situação trágica que somente piorou, pois a cada guerra que os árabes perderam ao longo desse meio século, mais extenso e mais forte fica o Estado de Israel, que hoje ocupa 20.770 km².

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