Por um 2016 de reorganização
Sexta, 18 de Dezembro de 2015

Na mesma semana que a Polícia Federal entrou na Casa de Eduardo Cunha, e que a Comissão de Ética aprovou a abertura de processo contra o presidente da Câmara, finalmente, o ex-governador de Minas Gerais (1995-1999) e ex-presidente nacional do PSDB, Eduardo Azeredo, foi condenado na quarta-feira por envolvimento no Mensalão Mineiro. Apesar de ser em primeira instância e podendo recorrer, e com 17 anos de atraso, a Justiça dá mostras de que não são apenas políticos envolvidos com governos do PT que são condenados.

Cada um tem sua preferência no espectro ideológico. Mesmo aqueles que dizem que votam em pessoas e não em partidos. É natural relevar mais os erros de quem está no mesmo campo do que do adversário. Porém, no fim das contas, roubo é roubo. Fui para o Google fazer um rápido levantamento das estimativas dos desvios mais famosos nos últimos anos. Petrolão, estima-se em R$ 21 bilhões. Mensalão, R$ 141 milhões. O cartel de trens em SP pode ser de R$ 835 milhões. Mensalão mineiro R$ 3,5 milhões (ou R$ 9,3 milhões, em valores atualizados). Sem contar que há quem diga que os desvios do BNDS poderiam ultrapassar os R$ 800 bilhões.

O Congresso autorizou no início do mês que o Governo Federal feche o ano com um rombo de R$ 120 bilhões nas contas. Dilma está vendo seu ministro da Fazenda cortar verbas de programas assistenciais, educacionais, habitacionais e de infraestrutura, suspendendo concursos públicos. Doeu no povo. Nada disto seria necessário (talvez ajustes, mas não cortes profundos) se práticas corruptas fossem exceção, e não regra, neste Brasil varonil.

Estes números são conhecidos porque foi somente nos últimos anos que efetivamente a corrupção está sendo combatida. Imagina o que não nos foi roubado em 515 anos de descobrimento? Justifica uma reflexão sobre o tamanho da nossa carga tributária. Precisava ser tão alta se essa grana fosse para onde realmente deveria ir?

2015 tem sido um ano cansativo, estressante, de conflitos, mas vai ficar marcado por aquilo que pode ser (desejo profundamente que seja isto mesmo) um novo marco no cuidado com o dinheiro público. Que as investigações dos órgãos que têm esta prerrogativa ampliem sua busca por corruptos, e que isto reorganize a forma de relação política no Legislativo e no Executivo. Que isto influencie na criação de uma nova cultura política naqueles cidadãos que vão às urnas de dois em dois anos reclamando e querendo se livrar de uma das coisas mais valiosas que têm, que é o voto. Que em 2016, ano de eleições municipais, o ritmo da Justiça, do Ministério Público, da Polícia Federal seja ainda maior. Que seja um ano de mais “japas” e mais “Moros”, e de menos “Cunhas” (ou mais “Delcídios” na cadeia). Que mais políticos maus sejam presos, mas que políticos bons (sim, eles existem) busquem liderar, e não apenas sucumbir num meio podre. 2016 vai ser tão difícil ou mais do que este ano. Contudo, vem com uma palavra que, na área política, há muito não fazia sentido: esperança.

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