Por um 2016 de esperança
Quinta, 24 de Dezembro de 2015

Então, caros leitores. O ano praticamente acabou. Para quem esteve envolvido com política, seja eleito, assessorando, militando, reportando, ou mesmo acompanhando as notícias entre um mate e outro, a sensação é semelhante: cansaço. Foi o ano do “terceiro turno”, tanto em nível federal como estadual. O ano do “nós” e “eles”. A impressão que fica é a de que, na verdade, foi 2013, o ano das maiores manifestações de rua, que ainda não acabou.

Esta é uma sensação que eu tenho: ainda não surgiu ninguém que tenha obtido sucesso em catalizar tudo aquilo que os manifestantes pediam naquele distante junho de mais de dois anos e meio atrás. Talvez pela pluralidade de motivos que levaram as pessoas a se manifestar. Entretanto, parece que a atual falta de paciência demonstrada nas manifestações, nas redes sociais, nas cartas ou e-mails de leitores a jornais, nas participações dos cidadãos no rádio, tudo isto é fruto de uma insatisfação que há muito estava adormecida. E esse despertar fez sobrar pra todo mundo, sobretudo para os políticos.

Nada indica que 2016 seja o ano em que teremos o fim deste ciclo. Imagino eu que a cobra só vai largar o próprio rabo a partir de uma refundação de todos os partidos. Timidamente vemos algumas iniciativas, como a fundação da REDE, os movimentos do PSB, mas nada que empolgue. Os dois protagonistas de eleições presidenciais – PT e PSDB - parecem ser os mais travados neste movimento. O primeiro por ter perdido seu discurso histórico. O segundo, por ter abandonado a Social Democracia em favor de uma aproximação temerária com o conservadorismo. Neste contexto, parece até natural – e não menos trágico – que a sigla com mais facetas se mantenha na crista da onda por mais tempo (né, PMDB?).

Depois de muitos anos, a guerra volta a ser de confrontação partidária, interna e externamente. Isto nunca seria ruim, pois faz parte da política, se não estivesse paralisando o Executivo. A janela “da traição”, aquela em que qualquer político que tenha um mandato poderá se desfiliar e escolher uma nova sigla, pode embaralhar as cartas. Mas não creio que seja tão relevante quanto seria desejável. Contudo, parece ser um caminho dolorido, mas natural, o que vamos ter que passar ao longo de 2016, com um tempero especial de eleições municipais. 2018, se chegarmos lá (e torço para que sim), estará sendo preparado neste ano.

Desta forma, além de desejar as boas festas, desejo para o teu ano, caro leitor, paciência, calma, racionalidade, força de vontade, iniciativa. Que (politicamente, claro) seja um ano mais guiado pelo cérebro do que pelo coração. Pelos ouvidos do que pela língua. Pela visão do que pela ilusão. Pela preocupação do que pela submissão. Pelo compromisso de quem faz a própria parte do que pela terceirização da culpa. E de esperança. Essa sim tem que permanecer firme e forte.

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