Falta de jeito
Sexta, 08 de Janeiro de 2016

2016 começou e o aumento no ICMS, proposto pelo Governo do Estado e aprovado pela Assembleia Legislativa no ano passado, já começou a doer no bolso. A gasolina está acima de R$ 4 por litro, a energia elétrica e o gás de cozinha também tiveram aumento significativo. Se a sensação era de que tudo já estava caro, agora piorou.

Embora certo deputado federal tenha ironizado pela rede social Twitter nesta semana os engarrafamentos na volta das praias como símbolo de que não há crise alguma, o fato é que se percebe nas pequenas coisas que algumas coisas mudaram. Pode ser que ninguém tenha deixado de ir para o litoral neste verão, mas é bem possível que o número de dias, ou a categoria da estadia, tenha sido mais acanhada. Ninguém deixou de tomar a sua cerveja, mas pode ter pensado duas vezes em qual marca levar. Ou então o destino da viagem pode ter sido alterado. Afinal, brasileiro é conhecido por sempre dar um jeito...

É por isso que eu contesto aqueles que dizem que a classe média é quem sofre mais. Não é não. Provavelmente é quem tem reclamado mais. Se tem razão ou não, é difícil dizer. Depende da perspectiva, e quando depende de perspectivas, cada um pode usar a que mais convir. Quem sofre mais com isto são os intermediários entre a classe média e os mais pobres. Aqueles que tiveram alguma das bolsas cortadas. Que sentiram a inflação de forma mais intensa, pois deixaram de ter naquelas poucas dezenas de reais o seu desafogo. A ironia do determinado deputado, embora tivesse um endereço certo, foi tão precipitada como a do então candidato a governador que comparou o piso do magistério e a famosa rede de materiais de construção. Embora eu acredite que realmente nenhum dos dois tenha tido outro propósito que não fazer graça, provavelmente atingiram quem não era alvo da indireta. Seja pelo deboche ou pela alta de preços, definitivamente não é uma boa maneira de iniciar o ano.

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