2016 de poucas promessas
Sexta, 15 de Janeiro de 2016

Procurei nas minhas gavetas minha bola de cristal para saber o que posso esperar de 2016. Antes de se autodestruir por não ter gostado de sua premonição, a bola indicou apenas uma palavra: eleições. Atenção voltada aos municípios. Dos maiores para os menores, para ser mais específico. Deu apenas para entender que, apesar de ano de eleição normalmente ser ano de promessas, a previsão de compromissos a serem assumidos vai ser mais condizente com o tamanho da esperança de mudanças do eleitorado, ou seja, mínimas.

Ser candidato a prefeito, nos dias atuais, é um pepino maior do que assumir um time pequeno na zona de rebaixamento faltando poucas rodadas para o fim do campeonato. Principalmente porque não há dinheiro. Excetuando-se raras das menores unidades da federação que conseguem ter uma arrecadação ao menos suficiente, a coisa ainda vai ser pior porque não vai dar para contar com o falimentar Estado nem com a bagunçada União.

Tanto Dilma como Sartori iniciaram o ano indicando isto. O governador reeditou nesta semana pela terceira vez o decreto que impede contratação de servidores concursados e aumento de gastos. A sra Rousseff, por sua vez, indica que o ajuste fiscal continuará, e que tentará reeditar a CPMF e ampliar a idade para a aposentadoria, além de ampliar o programa de concessões de portos, aeroportos, rodovias.

Os prefeitos em fim de mandato (concorrendo a reeleição ou não) estão em situações inusitadas. Vão ter que torcer pela aprovação da CPMF, assim como torceram em silêncio para o aumento do ICMS no ano passado, para conseguir fechar o mandato com alguns trocos a mais nos cofres para tentar fazer algo e deixar alguma marca positiva do mandato.

Pobre dos prefeitos. Claro que há administrações ruins. E, pior, há muitos municípios que sofrem com uma sequência muito grande de administrações fracas, de escolhas erradas. Contudo, eles são responsabilizados pela opinião pública até sobre aquilo que não têm ingerência. Embora não sejam os municípios os responsáveis por nomear brigadianos, é nas cidades que a violência acontece e, por isto, são cobrados. São os chefes dos Executivos municipais, pela proximidade dos eleitores, os primeiros a sofrerem críticas, muito porque falta clareza de eleitores e sobra oportunismo de adversários. Porto Alegre e o Piratini ficam a uma distância bem maior do que a prefeitura. Brasília, então, é uma cidade em que grande parte dos brasileiros sequer vão pisar algum dia. Deve ser por isto que algumas das pessoas mais indicadas para assumir a prefeitura descartam completamente esta possibilidade. Quem tem juízo, diante do atual panorama, só vai para a luta se o espírito de aventura for bastante elevado.

Em resumo,mesmo sem bola de cristal, dá para prever que não vai dar para esperar muita coisa no próximo pleito. Como duvido que alguém apresente uma fórmula mágica, a recomendação é prestar atenção nas promessas. Se alguém prometer muito, desconfie: é possível que este candidato não faça idéia de como estão as contas do município.

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