A inédita presidência da AL
Sexta, 22 de Janeiro de 2016

No próximo dia 3, a Assembleia Legislativa troca sua presidência. Como já é tradicional o acordo entre as quatro maiores bancadas (PT, PMDB, PDT e PP) para que cada uma fique à frente do Legislativo estadual pelo período de um ano, o atual presidente, Edson Brum, renunciará o mandato (que regimentalmente tem a duração de dois anos) para que, em seu lugar, a deputada Silvana Covatti assuma. Farei aqui alguns apontamentos sobre isso.

1) A deputada Silvana vai colocar mais uma vez seu nome na história do Parlamento. Se já tinha obtido destaque na eleição de 2010, quando foi a mais votada entre os 55 eleitos, agora será a primeira mulher em 170 anos a presidir o Parlamento. Da mesma forma, será a primeira vez que a galeria dos ex-presidentes da AL terá a foto de um casal, já que a do ex-deputado federal Vilson Covatti está lá por ter presidido a AL em 2003.

2) O feito de Silvana abre o debate sobre a participação da mulher na política. Se o RS tem alguns dados positivos, como o fato de ter uma ex-governadora (Yeda Crusius), uma deputada três vezes mais votada (Manuela, duas a federal e a mais recente a estadual), duas senadoras (Emília Fernandes e agora Ana Amelia), ainda são números baixos para um Estado cuja maioria da população é feminina. Vale também para prefeituras, Câmaras de Vereadores e vagas nos parlamentos estadual e federal.

3) Este não é o melhor dos momentos para assumir a presidência. No ano passado, pela primeira vez um deputado estadual foi cassado (Basegio) e há um processo que pode resultar em mais uma cassação neste ano (Jardel). Além disso, este é o momento histórico em que as instituições de fiscalização estão mais focadas nos atos do Executivo e do Legislativo (Sossela, ex-presidente, ainda responde a processo que pode tirá-lo do mandato). Além do mais, no ano passado Brum teve que ter pulso firme na relação com sindicalistas, que chegaram a impedir a abertura da AL e que posteriormente foram retaliados ao serem impedidos de acessar as galerias. Como o governo Sartori ainda vai tomar medidas consideradas duras, e o PP da deputada faz parte da base do Governo, vai precisar de todo cuidado possível. Ainda mais que o machismo que ainda está impregnado em boa parte da sociedade é bem capaz de ampliar qualquer possível deslize pelo fato de Silvana “ser mulher”.

4) A divisão da presidência entre os quatro maiores partidos precisa ser repensada. Além de encurtar os mandatos, ela não premia o político com melhor relação entre os parlamentares. As escolhas ficam restritas às paredes de cada bancada. Mesmo administrativamente, a dança das cadeiras não permite continuidade dos servidores para a prestação dos serviços. O que não é nenhum demérito para Silvana, que será presidente de acordo com as regras do jogo que é jogado e que vai conquistar o posto pelo grande capital político que a família vem adquirindo desde que Vilson Covatti se elegeu pela primeira vez, nos anos 90, e que culminou na eleição também de Covatti Filho.

Cabe a nós desejarmos à deputada uma excelente gestão e também que tenha boa sorte (em política, sobretudo, nunca é demais).

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