Quando o social é eleitoral
Sexta, 06 de Maio de 2016

Uma das grandes falácias, um erro no discurso daqueles que defendem os governos Lula/Dilma, é de que todas as políticas assistenciais vão acabar. Que não vai ter mais Bolsa Família, nem Prouni, nem políticas de inclusão de minorias etc. Concordo que pode haver ajustes, algumas adequações, porém duvido que qualquer futuro presidente vá encerrar esses programas.

Se é verdade que foi a classe média que ajudou a eleger o primeiro governo do PT, lá em 2002, também procede que a manutenção do partido no poder até então foi garantida pelas classes mais baixas. Pesquisas e as urnas indicam isto: nos Estados mais ricos, com raras exceções, ganhou a oposição. Nos mais pobres, deu Lula e Dilma de lavada. Logo, não dá para negar que, além de ter funcionado, estas políticas sociais garantiram aquilo que todo político quer: a manutenção do poder.

Novamente, é uma fatia bastante significativa da classe média a mais disposta a tirar Dilma Rousseff do poder. A mesma que migrou do PSDB para o PT na década passada. Analistas explicam que isto ocorreu principalmente porque foi a classe menos favorecida nos últimos anos. Viu a ascensão das classes mais baixas e aumento nos ganhos dos mais ricos. Se por um lado pagou imposto de renda, não entrou na faixa de beneficiados pelos programas. E a classe média é composta por pessoas de bom grau de conhecimento. Que formula opinião, não simplesmente reproduz ideias. Foi para as ruas. Fim de governo.

É exatamente isto que faz da classe média menos “confiável” aos olhos de dirigentes partidários. Ela é menos fiel. Tem mais noção do papel que pode desempenhar. Acha que os pobres precisam ser amparados, mas também exige que não sejam esquecidos em detrimento de grupos mais privilegiados. Concorda que é preciso dar condições para que todos alcancem melhores postos de trabalho, mas quer que o número destes postos também seja ampliado. Com a economia indo bem, isto ocorre. Em tempos de recessão, estas vagas minguam e a disputa fica mais acirrada. E a classe média não quer perder o status quo. Quer continuar tendo condições de pagar suas prestações, não pretende abrir mão do seu estilo de vida. Enfim, é uma classe mais exigente que as D e E. Embora seja bastante numerosa, suas exigências são mais complexas de atender, já que não se resume a assistência social. Miram reformas estruturais sempre prometidas e nunca atendidas.

Dilma cairá semana que vem porque a classe média apoia. Os próximos presidentes e seus partidos vão ter que prestar atenção neste movimento. Por isto, duvido que deixem de atender a base da pirâmide. Assistência social, no Brasil, não é bondade, é garantia eleitoral. Caso isto ocorra, poderão ter um prazo de validade no poder bastante curto.

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Escrevo no dia em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, teve seu mandato suspenso. Pretendo falar mais sobre isto nas próximas colunas. Por enquanto, deixa eu brindar aqui com o fio de esperança que ainda me resta. Desejo um feliz Dia das Mães. Principalmente para a mãe do Cunha, que atualmente é a mais xingada do país.
 

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