Dilma sorri
Sexta, 27 de Maio de 2016

Que grande roda-gigante se transformou a política brasileira. Há duas semanas, Temer assumia interinamente a presidência, dado o afastamento de Dilma Rousseff. Foi o tempo necessário para a tão invocada “credibilidade” apresentar rachaduras. Primeiramente antecipando um esforço por um ministério de “notáveis”, cedeu à pressão de caciques de partidos da nova base aliada, tudo por medo de não ter no Congresso apoio suficiente para implantar as medidas que “mudarão o Brasil”. Só a área econômica se salvou. Por enquanto.

Temer já “apanhou” por ter extinto o Ministério da Cultura. Mais intimidado pela opinião pública do que movido por convicções, já resolveu recriar a pasta. Foi constrangido após escolher como lema “Ordem e Progresso”, expresso numa logo faltando cinco das estrelas que representariam os Estados (a mesma quantidade de estrelas da época da ditadura). Beirou ao ridículo quando, numa atitude que poderia ser considerada como “fofa”, revelou que quem escolheu o lema foi Michelzinho, seu filho de 7 anos. E, numa virada do destino, o feitiço que o colocou no poder – vazamento de gravações – também provocou contra si um terremoto, obrigando a demitir seu braço-direito, o agora ex-ministro do Planejamento Romero Jucá. Ah, e também vê Eduardo Cunha, mesmo afastado da Câmara, ainda dando as cartas.

A cada gravação, deve descer litros de suor gelado pela espinha de Temer. Até o fim desta coluna, apenas as gravações das conversas entre o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado com Jucá e Renan Calheiros haviam sido divulgadas. Dizem que ainda há mais gravações. E mais um punhado de gente citadas, principalmente Aécio Neves e o PSDB. Uma temeridade. Temer estaria temeroso. A cada dia, novas piadas (e trocadilhos) rolam soltas pelas redes sociais.

De lambuja, Dilma não é citada. Tem vários do PT com a água até o pescoço. Contudo, a presidente afastada ainda não. E nem o relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavascki, que foi classificado como “um cara fechado” numa das gravações, indicando que não é amiguinho da turma de investigados.

Devemos lembrar ainda que Temer não foi cabeça de chapa. Não foram dele os 54 milhões de votos. Não tem a mesma turma de defensores. Ao contrário, mesmo quem queria o fim do governo petista não clamava por Temer. Era visto mais como um tampão do que qualquer outra coisa. Dilma sorri. Ainda pesa contra ela o fato de ter mentido nas eleições e da falta de capacidade administrativa para gerir o país. Se vai conseguir reverter a tendência de ser “impichada”, ainda não dá para saber. Temer vai ter que ter sorte na recuperação econômica. Terá que fazer milagres, diante da atual situação, e tem menos de seis meses para isto. Porque, politicamente, com a turma que escolheu, pode até ter votos no Congresso. Mas cada vez mais a Lava Jato mostra que grande parte do seu grupo não tem legitimidade para manter os mandatos parlamentares, quem dirá para comandar o Executivo.

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