Como recomeçar
Sexta, 10 de Junho de 2016

Depois de boa parte da cúpula petista, chegou a vez do PMDB. Nesta semana, a PGR pediu a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros; do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha; do ex-presidente José Sarney e do senador Romero Jucá. Além disso, o ministro do STF, Gilmar Mendes, enfim aceitou a abertura de inquérito para investigar o presidente do PSDB e senador Aécio Neves. E podemos ter mais tucanos na fila, já que ainda precisamos conhecer a delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que foi líder de FHC no Senado.

É fato. Qualquer político brasileiro que ambicionou algo a mais precisou sujar as mãos. Veja bem: os dois partidos que desde 1994 são protagonistas das campanhas presidenciais, PT e PSDB, estão enrolados. E o maior partido do país, o PMDB, que sempre foi governo e garantiu a chamada governabilidade, está em todas até o pescoço. E outros partidos robustos, como o PP, que ajudaram a encorpar bases governistas, também engrossam as listas de investigados.

Tudo indica que o poder tem um preço. Paga quem quer ter o poder, recebe quem dá o apoio. O velho “me ajuda a te ajudar”. E, obviamente, essa grana que passa na mão de muitos, sai da mesma fonte: os cofres públicos. Dá para imaginar quanto já foi engolido por este tipo de conduta? A Lava-Jato, até gora, recuperou mais de R$ 4 bilhões. É bastante, mas certamente representa quase nada perto de tudo que já foi desviado no Brasil.

Parece que o presidencialismo fracassou. Porém, como pensar num parlamentarismo com um Congresso desses? Estamos dependendo do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário, e tendo que confiar cegamente nessas instituições, como se fossem imaculadas, para ter no que acreditar. Chegou o momento de reinventar uma série de pontos da política nacional. A começar pelos partidos, pelo sistema eleitoral, pelo equilíbrio entre poderes etc. E fazer isto como quem troca uma roda com o carro andando, já que não dá para viver uma crise sem fim. E sem apelar para intervenção militar, por favor!

Particularmente, só vejo uma saída para isso tudo. Acabar com essa política profissional que conhecemos. Não dá mais para permitir que tenhamos Sarneys (na política desde 1955) ou Renans (desde 1978). São pessoas que passaram mais da metade da própria vida sendo políticos, e que esqueceram-se de como é ser cidadão. Que passaram tanto tempo tendo tantos benefícios, que não lembram mais de que bolso saem. Enraizaram-se tanto, que até quem quer ter vez precisa seguir a “cartilha do poder”. Traçaram tantos planos para obter a reeleição, que flexibilizaram aquilo que talvez entendiam como correto quando pensaram em ingressar na política. O fato de terem feito tudo tão naturalmente, como se nada fosse errado, indica que não têm mais consciência. Que políticas públicas não têm como principal objetivo fazer o bem, pois o “bem” parece ser uma consequência de algo feito apenas para manter o status quo.

Já há quem diga que, para o bem do Brasil, seria importante fazer uma espécie de anistia: zerar os crimes e só prender quem sair da linha a partir de agora. Eu concordo com a parte de recomeçar, se no acordo eles se comprometessem a nunca mais concorrer.

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