Que dê tudo certo
Sexta, 05 de Agosto de 2016

Enfim, vai começar a Olimpíada no Brasil. Eu adoro Olimpíadas. Se houvesse possibilidade, teria até tirado férias no período para ficar o dia todo assistindo televisão para acompanhar. Não é exagero. Se não fosse a patroa, a TV em casa passaria quase que exclusivamente ligada nas minhas horas de folga em canais esportivos. Não importa a modalidade. Posso assistir por horas uma partida badminton sem me entediar. Volta e meia me perguntam por que não optei pelo jornalismo esportivo. Sempre respondi: “e trabalhar bem durante a minha diversão?”. Prefiro assistir como torcedor, pelo gosto pela competição, o esforço ao extremo, a concentração, a superação. O esporte nos dá lições fantásticas. Eu invejo (no bom sentido) o atleta que passa anos repetindo movimentos, regulando a dieta, dormindo cedo, acordando ainda mais cedo, com dificuldades de patrocínio (é a realidade da maioria), a disciplina (que palavrinha que me assusta!), abrindo mão de uma série de coisas que eu certamente não abriria.

Deveria ser um momento bem legal para o país, sediar os jogos. Contudo, o temor de que as disputas entre nações sejam ofuscadas por fatos extraquadras (ou piscinas, ou campos, etc) que se impõem. O contexto não parece ser dos melhores. A abertura ocorre na semana em que foi lido o relatório do impeachment. No ano em que a crise está limpando os bolsos das pessoas, em que o desemprego só aumentou, em que a segurança e a saúde estão em colapso.

Não bastasse isto, assim como na Copa do Mundo, novamente estamos pagando um mico por não termos toda a estrutura, prometida há sete anos, pronta na semana do início dos jogos. E algumas que pareciam prontas, como os apartamentos da Vila Olímpica, já apresentaram defeitos. Até a Baía de Guanabara, um dos cartões-postais brasileiros, onde terá competições, não foi despoluída. Dói pensar nos bilhões que saíram dos cofres públicos para isso. Ou então não ver realizado aquele sonho de se transformar em uma potência olímpica. De que jeito, num país onde se descobriu desvios de incentivos que deveriam chegar aos atletas?

A realização da Olimpíada no Brasil é a cara da nossa política. Pouco eficiente, gastadora, atrasada, improvisadora, mal planejada, marqueteira, populista, burocrática. A própria candidatura para sediar uma Olimpíada teve todas essas características. Foi promessa de político. “Se formos eleitos, vamos fazer isso”. O ideal seria o contrário, ter criado condições para depois se candidatar. E, não fosse pedir demais, poderia-se também ter planejamento deixar grandes legados, que não fossem apenas prédios e obras de infraestrutura (as que saíram do papel, né!).

Mas o show vai começar. Tomara que dê tudo certo! Que essa Olimpíada encante. Que as histórias que serão contadas ao longo dos próximos dias inspirem. E que além do espírito esportivo, o espírito crítico sobre tudo o que está além do Rio de Janeiro não fique esquecido.

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