O mesmo jogo, regras novas
Sexta, 12 de Agosto de 2016

Na próxima terça-feira, enfim começa oficialmente o período eleitoral em todo o Brasil. Digo enfim porque, em pleitos passados, já teríamos passado por mais de um mês de carros de som nas ruas, panfletagem, adesivagem, comícios, horário eleitoral gratuito, colocação de cavaletes, etc. Desta vez, tudo ficou curto: o tempo de campanha, as doações e a liberdade de criação.

Estou bastante curioso. Se forem seguidas à risca as regras que estão no papel, não teremos aquelas gastanças desenfreadas, nem poluição visual. Algo bastante diferente do que estamos acostumados. Talvez, salvo um adesivo aqui e um santinho ali, nem percebamos o clima de eleição. Por estes motivos, há quem diga que este será o último pleito neste formato. Talvez seja mesmo. A limitação de um teto abaixo do que vinha sendo gasto nas últimas campanhas e o banimento das doações de empresas descontentam muitos candidatos. A redução do tempo de televisão e rádio, outros tantos. Tirar os vereadores do horário eleitoral gratuito também. Para aqueles partidos que estavam acostumados a ganhar eleições na base da grana, desta vez ou se adaptam rapidamente às novas regras, ou assumem o risco de ter candidaturas impugnadas.

Diante deste panorama, não me surpreenderia que o índice de pessoas que não foram votar aumente, assim como o daqueles que optarem pelo branco ou nulo, principalmente para vereador. Há uma tradição que ainda não foi quebrada nas campanhas brasileiras de que o eleitor busca tirar algum tipo de vantagem em troca do voto. Nem que seja um litro de gasolina, ou o pagamento de uma conta de luz. Histórias todos conhecemos aos montes, não precisamos tapar o sol com a peneira. E, se temos candidatos que compram votos, é porque tem quem vende, não é?

Além das dificuldades das campanhas, os candidatos vão ter dificuldades de discurso. Afinal, como prometer qualquer coisa diante das condições de penúrias das prefeituras? Prova disto é que dezenas de prefeitos que poderiam concorrer à reeleição passaram a bola. Faz sentido. Nenhum político quer ser apenas um pagador de contas. Todos pretendem deixar uma marca. E isto obrigatoriamente passa por recursos em caixa ou por encaminhar projetos aos governos estadual e federal. Contudo, a tal da crise torna essa possibilidade, ao menos para os próximos dois anos, um tanto quanto inviável.

Eu concluo aqui com os meus botões que é um momento adverso para os candidatos. Por outro lado, vejo também que há um espaço muito grande para se quebrar paradigmas. Um deles, é que o eleitor talvez tenha a necessidade de não esperar o candidato chegar a si para buscar informações sobre as propostas das majoritárias e das proporcionais. E também aquilo que considero o principal: de vermos eleitores com um comportamento mais criterioso. Se todos estão concorrendo com mais igualdade (ou menos desigualdade) econômica, talvez a única saída seja escolher o melhor candidato. Se isso ocorrer, torcerei para que as novas regras tenham vindo para ficar.

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