Só com o número
Sexta, 26 de Agosto de 2016

Mal começaram as campanhas em todos os municípios do Brasil e, pelo menos, uma coisa já chama atenção: muitos candidatos estão escondendo as siglas pela qual concorrem. Não é uma regra, claro, eu sei que em muitas cidades pertencer a uma sigla é motivo até de identidade local. Porém, em redutos maiores, é fato que nos materiais impressos, nos adesivos e nas redes sociais, a ênfase é no candidato.

Tudo isto faz muito sentido. Já faria se pensássemos apenas a partir do “pessoalismo”, que o eleitor vota na pessoa e não no partido. Fica ainda mais justificável diante de um sistema eleitoral com mais de 30 agremiações políticas. Porém, depois da Lava-Jato e outras investigações, nenhuma das mais robustas siglas do país ficou ilesa. Exceto aquelas que nunca estiveram à frente do Executivo. Mesmo os partidos mais à esquerda, com seus símbolos, cores e personalidades historicamente mais salientes, estão suavizando essas marcas registradas.

É bastante compreensível, num contexto de divisão total entre “coxinhas" e “petralhas”, que a maioria dos candidatos opte por fugir de qualquer rótulo. Sobretudo em cidades com dois turnos. Não há como se eleger apenas com o apoio das parcelas identificadas com um dos dois lados – o petismo e o antipetismo. Por isso, é provável que, nos programas eleitorais, tenhamos o menor índice de participação de grandes figuras políticas da história. Diferentemente de outros pleitos, dificilmente os marqueteiros vão liberar a aparição de figuras como Lula, Serra, Aécio, Temer, etc. Em tempos em que a classe política está bastante desacreditada, ninguém precisa carregar consigo outras rejeições que não a própria. A não ser que o Obama resolva apoiar alguém, a presença de políticos tradicionais está sendo tratada como possíveis erros antecipados da atual eleição.

Apesar de tudo, das tentativas de esconder o partido pelo qual se candidata ou que está presente na própria coligação, duvido muito que haja grandes alterações na atual distribuição de força das siglas país afora. A sigla A vai perder aqui, mas ganhar lá, e com a sigla B vai ocorrer o mesmo. Com raras exceções, muito localizadamente, as novas agremiações políticas surgidas recentemente vão conseguir obter sucesso. Seja tradicional ou novo, nenhum partido conseguiu canalizar o sentimento do eleitor. E, na maioria dos municípios brasileiros, os partidos sequer conseguem montar uma comissão representativa, quem dirá colocar um candidato competitivo no páreo.

Além do mais, a relação de cada cidade com os seus candidatos a prefeito e vereadores é mais próxima, não se compara com o certo afastamento em relação a postulantes ao governo do Estado, ao Senado ou à presidência. O conhecimento, a amizade, o parentesco ou a simpatia com determinada figura garante o voto, independentemente do fato de ele ser a favor ou contra o impeachment da presidente Dilma. No fim das contas, isto é o que importa. E é o que me faz garantir que, embora mostrando apenas os números 13, 15, 12, 11 ou 45, são estes os partidos que farão maior número de prefeitos no Brasil.

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