Dez Fundações a menos
Sexta, 23 de Dezembro de 2016

Escrevo essa coluna sem saber se o “pacote do Sartori” foi aprovado na íntegra (27 propostas), ou se apenas parcialmente. O que se concretizou, até agora, foi a aprovação da extinção de dez Fundações: de Economia e Estatística, Piratini, Cientec, Desenvolvimento de Recursos Humanos, Zoobotânica, Metroplan, Instituto do Folclore, Fepagro, Corag e Produção e Pesquisa em Saúde. Nos próximos meses, centenas de servidores serão demitidos.

Foi triste ver os servidores se manifestando desesperadamente, com a esperança reduzindo com o passar da madrugada, como os grãos de areia que caem na ampulheta. Mais do que as funções que as Fundações exercem no Estado, o principal ônus é humano. Tenho conhecidos entre essas pessoas, e imagino que esse será o pior Natal de suas vidas.

Não sei se esta foi a melhor opção que o governo tinha para recuperar as contas do Estado. Eu não tenho dúvidas de que havia muitas distorções dentro das Fundações e, sim, os serviços prestados poderiam melhorar bastante. O governo optou por “matar na raiz”, em vez de corrigir, adaptar, rever quadros. Resistência haveria igual, indiscutivelmente. O fato é que a ideia de repassar as atribuições para as secretarias e extinguir alguns “símbolos” do Estado foi comprada pelos deputados e por setores importantes da sociedade. Optou por olhar para os números, e não se preocupar com questões mais “humanas”.

Eu mesmo me manifestei a favor da extinção de algumas das Fundações. Porém, teve algumas ali que mereciam um esforço maior do governo para serem mantidas. Agora está feito. É torcer para que as Fundações que restaram – como a Uergs – sobrevivam aos próximos dois anos. Que os anos de “folga” do pagamento da dívida, aprovado no Congresso, sejam bem aproveitados. Espero sinceramente que a fome por “enxugamento” da máquina pública esteja saciada, sob pena de, em seguida, passarem a fechar até museus. Por outro lado, que os servidores das demais estruturas do Estado fiquem alertas sobre o trabalho a ser realizado. Infelizmente, a dose de motivação é feita pelo medo de perder o posto. Já está provado que nenhuma estrutura é vitalícia.

Concordo com a afirmação de que o Estado precisa cuidar, em primeiro lugar, dos serviços mais básicos – Saúde, Segurança, Educação e Assistência Social -, e espero que agora haja condições para que isto seja feito. E que, se mais esforço tiver que ser feito, que seja por parte do próprio governo em achar soluções mais ousadas, criativas. E que, se houver a venda de patrimônio, que seja feita de maneira transparente, para fins importantes, e sem carta marcada com grupos que há anos dominam o Rio Grande do Sul. Que o governo privilegie as classes mais baixas (da sociedade e do funcionalismo), e não lembrem deles em primeiro lugar somente na hora do sacrifício.

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