Teori(as) da Conspiração (iminente)
Sexta, 27 de Janeiro de 2017

O acidente – ou “acidente” – que tirou a vida, entre outros, do ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal escancarou uma realidade: ninguém mais acredita em ninguém. E pior, não só desconfiamos de todos como chegamos a um estado geral de paranóia. É claro que o “acidente” é muito estranho. Eu mesmo tenho uma resistência gigantesca a acreditar que foi o “destino” que levou justamente o ministro que há muito vinha se destacando sobre seus posicionamentos a frente dos processos da Lava-Jato, logo aquele sobre quem circulam notícias de que não fazia conchavos com ninguém. Então, qual era a probabilidade de ter morrido tão tragicamente?

E, se foi um acidente encomendado, quem poderia ter sido o mandante? Já vi muitos culpando o PT, pela quantidade de dirigentes já condenados, e pelo histórico caso que envolve a morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. Porém, justamente por já ter tantos membros condenados, adiantaria de que o PT fazer alguma intervenção agora? Há também aqueles que garantem que foi o PMDB, que a cada duas semanas sofre com alguma notícia de que um de seus membros está envolvido em algum tipo de esquema. Ou o PSDB, que ainda não foi atingido em cheio, mas que já teve o nome de seus principais líderes em algumas manchetes como tendo participado de esquemas de corrupção? Ou então o PP, o PTB, o DEM, o PSD, o SD, etc? Digamos que temos tantos candidatos a ser o vilão que chego a imaginar os políticos destes partidos fazendo uma vaquinha para pagar o autor do crime.

Contudo, digamos que realmente o “acidente” tenha ocorrido de maneira acidental, sem a interferência de figurões que estão (estavam?) em xeque pela iminência da homologação por parte do falecido ministro de mais de 70 delações premiadas de pessoas ligadas à Odebrecht e que promete (prometia?) derrubar muitos políticos. Como não desconfiar de toda e qualquer indicação de substituto de Teori? Qualquer nome que o ex-vice-presidente Michel Temer indicar, estará sob suspeitas. Até mesmo se o juiz Sérgio Moro for o indicado causará suspeição, pois há quem diga que ele não poderia nem relatar nem votar sobre um processo que já julgou (seria um voto a favor de condenações a menos).

As suspeitas não se resumem a Temer, mas também ao STF. Qualquer ação tomada no Supremo para escolher o novo relator será alvo de desconfiança. Imagina se, no caso de optarem por um sorteio, os processos caírem nas mesas dos controversos Dias Toffoli, Gilmar Mendes ou Ricardo Lewandowski? Estará declarado – pela opinião pública – que foi feita uma pizza gigantesca! Essa desconfiança só será desfeita se todo nome até agora especulado como envolvido em esquemas de corrupção for condenado. Um, apenas um, que seja considerado inocente, e ninguém vai acreditar que se fez Justiça. Ninguém vai aceitar menos do que ver todos na cadeia. Mesmo que haja algum inocente (e isso não pode ser o desejável, já que não queremos a volta da inquisição). Mesmo sabendo que este é um risco, quero acreditar que, se alguém tramou para matar Teori Zavascki, deu um tiro no próprio pé.

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