Por pedágios na BR 386
Sexta, 24 de Março de 2017

Uma das grandes discussões do momento é a concessão da BR 386. Sem pedágios há mais de três anos, a Estrada da Produção (ou Rodovia Leonel de Moura Brizola) vem perdendo qualidade gradativamente. As poucas intervenções para tapar buracos não dão conta. A melhora, todos sabemos, passa pela concessão à iniciativa privada. Os dispositivos do contrato, entretanto, são o que transformam as discussões numa torre de babel. Esta falta de entendimento já ameaça retirar a 386 do pacote de rodovias que serão concedidas.

Tudo bem, é verdade que o antigo contrato da BR 386 não foi o ideal. Pagamos caro pela pequena quantidade de intervenções feitas na pista. Ainda assim, (os mais “experientes” vão entender) só de lembrar da época em que o trecho da serra entre Pouso Novo e Lajeado não tinha terceira pista, eu já acho que valeu a pena. Sem trechos para ultrapassagem, era comum andar a 40 km por hora atrás de um caminhão. E, acredite, quando se anda por quilômetros atrás de um caminhão lento, qualquer motorista pensa que pagaria o dobro para não precisar passar por isto.

Nós já perdemos muito tempo esperando melhoras na Estrada da Produção, que tem este nome por ser a principal ligação da chamada metade norte do Estado com sua capital, formando um grande corredor de escoamento da produção e de abastecimento das cidades. Mesmo a duplicação (ainda incompleta) entre Tabaí e Lajeado foi feita tardiamente. Se, em 2009, durante o governo Yeda Crusius, fosse permitida a extensão do contrato por 15 anos com as concessionárias (que ainda previa redução no preço) valendo a partir de 2013 (quando se encerraram os contratos), já poderíamos contar com uma estrada muito melhor. Tenho certeza de que vidas teriam sido salvas nesta que é uma das rodovias do país em que mais ocorrem acidentes com mortes. No fim das contas, por falta de entendimento, a então governadora devolveu a administração dos contratos de seis polos do Estado para a União. Era a melhor opção? Não sei. Mas é fato que, ao invés de estarmos agora discutindo se teremos pedágios por 20 ou 30 anos, faltaria menos de 12 anos para terminar o contrato prorrogado e a BR 386 estaria bem melhor.

É lógico que é importante buscar um contrato mais favorável para os usuários. A pressão já melhorou alguns pontos, como a redução de 12 para dois anos para que trechos comecem a ser duplicados. O que não pode é virar guerra política. Posturas como “não abrimos mão disto ou aquilo” não ajudam. Exigências fora da realidade também não, pois empresa nenhuma vai se interessar em investir em algo que não dê retorno. Esperar que o governo cuide das rodovias é de um otimismo fora da realidade. Neste momento, precisamos de menos palanque, menos intransigência e mais maleabilidade. Isto para quem realmente quer uma BR 386 melhor, é claro.

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