Tanto faz
Quinta, 20 de Abril de 2017

Em meio ao último dos tantos turbilhões provocados pela Lava-Jato, fiquei lá no meu cantinho me perguntando: capitalismo e liberalismo, ou Estado e socialismo? Sim, porque esta é uma das “brigas” que nunca vão acabar. A resposta mais fácil seria “nenhum, nem outro”. Mas achei uma mais difícil: ao menos no Brasil, “tanto faz”.

Vamos começar pelo liberalismo. Está mais do que provado que nesta terra verde e amarela, o tal do capitalismo ainda engatinha. Chego a esta conclusão de maneira meio óbvia: não há competitividade. Ok, não vamos exagerar, até há. Porém, num nível ainda amador. Em cidades menores, quando uma empresa “estrangeira” se instala, surge um grupo que reclama que vai “levar o dinheiro embora”, “vai quebrar quem é da cidade”, etc. Não raro surgem denúncias de postos de gasolina que combinam preços. Até o leite é “batizado” para dar mais lucros.

Se olharmos pela ótica do poder público, é ainda pior: licitações combinadas, superfaturamentos com propinas e sei lá mais o que. Em alguns casos, chega a ser trágico. Em Porto Alegre, esses tempos fizeram licitação das linhas de ônibus urbanos. Ao invés das empresas se digladiarem para vencer a licitação, combinaram por duas ou três vezes sequer apresentar propostas. Ao invés de se esforçarem, acharam uma maneira de fazer a prefeitura quase “implorar” para que aceitassem as condições.

Olhando assim, não tem como ser uma sociedade capitalista pujante. Isto só quando a competição, o preparo e o merecimento estiverem realmente em primeiro plano.

Não melhor do que isto, vem os defensores de um Estado inchado, ou de um modelo socialista. Aqui, no Brasil? Em que a cultura geral ensina que passar num concurso público é sinônimo de estabilidade e trabalhar menos? Em que o Estado é usado para barganhas a manutenção de privilégios? Onde aquilo que é tido como “público” é de todos apenas no papel? Logo aqui, em que se esforçar por algo é tido (pelo senso comum) como “algo ruim”?

A verdade, pelo menos para mim, é que esta discussão não leva a lugar nenhum. Se está claro que grande parte do setor empresarial pratica atos inidôneos, também há críticas a serem feitas às lideranças da classe trabalhadora. Podemos ter sociedades focadas no liberalismo ou num estado máximo ótimos e péssimos. Porque, no fim das contas, tudo depende da mesma coisa: as pessoas que constroem a sociedade. É a cultura de valorização do próximo, do que é público, do que é justo, de onde minha liberdade acaba e começa a do outro, da solidariedade, do respeito. Isto não se garante com um sistema de governo, mas sim com um governo que funcione, seja lá qual for. As distorções estão menos em palavras abstratas, como “reforma” ou “economia”, do que na própria cultura de um povo. Sendo assim, qualquer que seja a opção, não importa, já que está se provando que as lideranças de ambas as tendências sujaram as mãos. A corrupção não é de esquerda ou de direita: ela é cultural.

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