Por mim, Diretas só em 2018
Sexta, 26 de Maio de 2017

Foi um dos autores cuja temática mais gosto, Aldous Huxley, autor de “Admirável Mundo Novo”, que disse que “talvez a maior lição da história seja que ninguém aprendeu as lições da história”. Os acontecimentos da última quarta-feira, quando até fogo foi ateado em um ministério, fazem-me acreditar nisto. Foi começar as manifestações e o que o quase ex-presidente Temer mandou fazer? Acionar os militares.

Não, não acredito que vivenciaremos um novo período militar. Porém, me assusta a quantidade de manifestações (me baseio em redes sociais, onde não há “filtros” para explicitar más ideias) concordando que estava certo, que esta seria a hora e a vez deles. Às vezes, tenho que me policiar para não pensar algo parecido, não no sentido de ter militares no poder, mas no sentido de que a população em geral não é capaz mesmo de lidar com democracia.

A atuação dos manifestantes – embora eu seja 100% favorável a saída imediata de Temer – também é lamentável. Digo, uma minoria de vândalos em meio a manifestantes. Não consigo entender quem, em sã consciência, acha que vai incendiar um prédio do Governo Federal sem sofrer retaliação de forças policiais.

Também é tragicômico ver a atuação de alguns políticos de oposição ao governo, que agem de maneira histérica em meio às sessões, interrompem discussões, tentam acabar com deliberações no grito e até com ameaças. Será que eles não se dão contam que, ao menos para a maioria da população, eles também não estão com crédito porque, afinal, apoiavam o governo em que ocorreram a maioria dos fatos que hoje a Lava-Jato traz à tona? Se, por um lado, acusam os políticos que tentam salvar as reformas tentadas no atual governo de falta de legitimidade, que legitimidade têm para invocar “Diretas Já”, com a explícita intenção de promover o “Volta Lula”?

É por essas e por outras que só quero eleição direta em 2018. Assim, teremos mais de um ano para tirar mais corruptos do tabuleiro. E até, por ventura, ver algum ou outro delatado injustamente (vai que, né?). Um pleito com sangue quente desestabilizaria ainda mais o pouco de estabilidade que ainda se demonstra. Sim, porque apesar de tudo isso, o país está demonstrando algo parecido com uma estabilidade que nunca demonstrou em outros períodos críticos.

As instituições estão funcionando, logo, a Constituição tem que funcionar também. Se não for pela cassação da chapa Dilma-Temer no próximo dia 5, que seja com um impeachment. E sim, eleições indiretas para mandato tampão. De preferência, comandado pela ministra do STF, Carmen Lúcia, sem os suspeitíssimos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira. E antes que me perguntem, sim, eu confio – neste momento – mais nos parlamentares eleitos para escolherem alguém para ser presidente tampão do que na massa. E, sim, estou pensando mais numa trégua do que numa guerra. Mais em reforma do que em revolução. Eles, apesar de todos os podres que carregam consigo, hoje têm alguma chance de chegar a um nome próximo a um consenso. Nós não conseguiríamos.

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