O que não deixar para 2018
Sexta, 09 de Junho de 2017

Uma das táticas mais utilizadas na política é o medo. Não é só na campanha. É o tempo todo. Em geral, utilizada por oposição ou minorias. Não é uma prática muito bonita, mas é aquela que atinge o coração da opinião pública. Em geral, com um pouco de informação se desconstrói qualquer argumento desses. Mas informar (e se informar) dá sempre mais trabalho do que um argumento como “o Estado vai quebrar”, “estão retirando direitos”, “vai virar uma ditadura”, etc.

O uso do medo como argumento, no fim das contas, é a prática mais antidemocrática possível. Ela silencia quem aparentemente tem menos informação, pois surge com uma força, de maneira tão direta, expõe uma convicção tão visceral da parte de quem a emite, que coloca um ponto final. Encerra uma discussão, porque ou o interlocutor sabe que não adianta discutir, ou porque realmente suscita dúvidas. É a expressão levada ao grau máximo do radicalismo.

Não tem como não achar que é jogo de cena. A história comprova que nenhuma lei ou ato já criado é tão ruim ou definitivo assim. A Constituição de 88 foi bastante criticada por alguns setores. Obviamente, não é uma obra perfeita. Mas está aí, com quase 30 anos, e funcionando. A lei de responsabilidade fiscal, o plano real, as privatizações, o Bolsa Família, todas foram propostas demonizadas, quando surgiram vieram acompanhadas das trombetas do apocalipse. Apesar de suas imperfeições, demonstraram utilidades.

Além do mais, todas as leis são passíveis de serem alteradas, complementadas, regulamentadas, revogadas. Melhorá-las é dever dos parlamentares. Entretanto, são objetos de cabo de guerra, pois a disputa de poder sempre se sobrepõe a qualquer tentativa mais lúcida de debate.

Estamos décadas atrasados nas reformas essenciais, e muito causadas pelos discursos de medo. Na verdade, o maior medo de todos sempre foi o de não se reeleger, logo, porque não aparecer insuflando o medo no eleitor e nos colegas parlamentares nem tão comprometidos assim, não é mesmo?

Eu estou torcendo muito pela cassação da chapa Dilma-Temer, principalmente para que o segundo saia logo desse governo. Não sei se alguém ainda tem dúvidas de todas as irregularidades (e crimes) cometidos, embora possa até haver alguma dúvida sobre processo legal. Eu só torço que, quem venha depois (não tenho preferências, só sei quem eu não quero que seja), não tenha medo de tocar as reformas que foram propostas. A economia se convenceu que são necessárias, até o início do último terremoto os índices estavam, mesmo que timidamente, se recuperando.

Não dá para deixar tudo parado até 2018. Contudo, como esperar alguma coisa, se o país vive de um tema só? Para aqueles que dizem que as reformas vão prejudicar os trabalhadores, e tenho para dizer que o que vai mesmo prejudicar mesmo a classe trabalhadora é seguir travando a melhora da economia, afinal é a recuperação econômica que aumenta a oferta de empregos, reduz inadimplência, aumenta consumo, etc. As reformas são perfeitas? Claro que não. Podem ser melhoradas (ou alteradas, complementadas, regulamentadas, revogadas) depois.

Comentários