Objetivo atingido
Sexta, 01 de Setembro de 2017

Creio ser generalizada a sensação de que fracassamos, politicamente falando. E nem falo de corrupção, pois já temos a indicação de que praticamente não há santos. Falo mesmo da penúria pela qual passam municípios, Estados e a União. E, veja bem, quando eu falo de fracasso, eu não me refiro a nenhum governo específico, mas ao conjunto de lideranças que assumiram o compromisso com os eleitores.

O Estado chegou ao fundo do poço ao anunciar o fracionamento de salários que, neste mês, tem a menor primeira parcela da história: módicos R$ 350. A corda estourou depois de mais de 40 anos de governos promovendo gastanças desenfreadas. O déficit sempre foi encoberto por motivos eleitorais, mesmo por aqueles que tentaram de alguma forma combatê-lo. Estamos sentindo no lombo (tanto os servidores, quanto a população que espera serviços públicos de qualidade) uma série de erros em sequência: manutenção e ampliação de privilégios dos níveis mais altos do serviço público; endividamentos subsequentes para manter as aparências; incentivos fiscais (muitos decorrentes da injusta guerra fiscal, mas outro tanto também para ajudar os amigos do rei) e pouca fiscalização e combate aos devedores (os inscritos na dívida ativa só crescem) – são mais de R$ 30 bilhões em débitos, sendo que menos de um terço é recuperável, etc.

O fato é que nem as tentativas até agora de fazer “estado mínimo” ou “estado máximo” funcionaram. Talvez porque todas ficaram pelo caminho, já que nunca reelegemos nenhum governador. Porém não acredito nisto. Entendo que nossa histórica divisão tenha contribuído – e muito – para essa quebradeira. Afinal, entre outras condutas, governadores derrotados rasparam o tacho para inviabilizar o governo seguinte, não sem antes terem aberto os cofres e concederem agrados na tentativa de permanecer mais quatro anos no posto. Aliado a isto, faltou seriedade (ou ao menos de sinceridade) na Assembleia Legislativa para promover debates desprovidos de emoções e alinhados com a realidade. A população apanha sem perceber a política do “quanto pior, melhor”.

Nem vou falar sobre as pobres prefeituras, que embora muitas sejam mal administradas, dividem entre si uma mísera parte do bolo de tributos. Vou para a União, que é quem administra 70% dos recursos públicos, e também é a principal responsável pelo fracasso ocorrer generalizadamente. É em Brasília que se toma as decisões mais eleitoreiras, egoístas (no sentido de manutenção do poder), populistas (o sentido de gastos com resultados imediatos e com fins eleitorais, e pouquíssimo de investimentos a longo prazo), e mantenedoras de privilégios. É lá, principalmente, que se propõe cortes que doem na base da pirâmide.

O RS, por um lado, também é uma consequência das decisões tomadas em Brasília. Isso não o isenta de não ter feito a própria parte. Falta pouco mais de um ano para a eleição e o que se sente é a desilusão de quem sabe que nem A nem B vai resolver. O objetivo do "quanto pior, melhor" está mais do que consolidado.

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