Grito de independência
Sexta, 08 de Setembro de 2017

As malas do Geddel ou a delação premiada do Palocci? Difícil dizer qual escandaliza mais. O impacto de ambas as notícias é brutal. Um, pela materialidade: R$ 51 milhões em espécie foram encontrados num bunker daquele que é um dos homens de confiança de Temer, que liderou o impeachment da ex-presidente Dilma e que foi ministro do segundo governo Lula. Não sei se a Casa da Moeda tem tanto dinheiro vivo como o encontrado lá. Já a delação de Palocci, ex-ministro de Lula e Dilma, articulador de ambos os governos, fundador do PT, incriminam diretamente os ex-presidentes ao relatar reunião de ambos com Emilio Odebrecht, em que foi tratado sobre a “contribuição” de R$ 300 milhões.

Ok, ninguém ainda foi condenado, é preciso esperar pelo julgamento, confirmação de provas e tal. Porém, a presunção de inocência que fique a cargo dos advogados e da Justiça. Enquanto cidadão, não consigo achar algo que abone as condutas apresentadas. E não apenas em relação aos três até aqui mencionados, mas incluindo aí todos os principais líderes partidários das maiores siglas do país.

Gera tanto asco quanto os já mencionados a participação dos megaempresários brasileiros nos esquemas de corrupção. Odebrecht e os irmãos Joesley e Wesley, entre outros, são os verdadeiros donos do Brasil. Os verdadeiros corruptores. Porque eu até aceito (não concordo, mas aceito) o argumento de que os políticos buscam esses recursos frutos de desvios de dinheiro público para “fins maiores”, ou seja, não para se enriquecer (e boa parte dos presentes na lista realmente não embolsam), mas para financiar campanhas, a manutenção do poder, que são “vítimas” de um sistema político que exige grandes gastos, etc. Os políticos acreditam piamente que são importantes (e até insubstituíveis) para conseguir algum que outro benefício para o seu eleitorado. Por outro lado, as empresas não têm qualquer outro objetivo, não acreditam em mais nada além de lucrar. E é bem mais fácil ganhar sem competir, marcando cartas, elegendo e comprando agentes políticos.

Por todos os fatos, chegamos enfim ao ponto em que não tem mais como defender ninguém. Chega de boa vontade com figuras que abusam do privilégio de ocupar cargos importantes e que se escondem sob mantos de santidade e pureza. Está mais do que na hora de abandonar de vez os discursos como “a mídia é golpista e manipuladora”, “está sendo orquestrado mais um golpe”, “há investigações seletivas”, etc. É hora de ter um pouco de amor próprio e abandonar os “carismáticos cafajestes” nas portas dos tribunais. Já não é mais uma briga de lados, de esquerda contra direita. É de povo prejudicado contra desonestos aproveitadores corruptos que se lixam para a falta de dinheiro em áreas importantes. Nesta Semana da Pátria, uma mudança geral de atitude seria o verdadeiro grito de independência… Dos corruptos.

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