Segunda, 16 de Janeiro de 2017 às 07:27
“A natureza tem tudo”
Cultivo de alimentos pelo sistema de agroflorestas possibilita o equilíbrio biológico promovendo naturalmente o controle de pragas e doenças nas plantas
Por: Eder Calegari (eder.calegari@folhadonoroeste.com.br)
Fotos - Vanessa Harlos

À primeira vista pode parecer simplesmente uma propriedade rodeada por uma mata. Mas não se engane, é preciso adentrar para perceber que entre árvores, existem alimentos. Assim é metade da área de 10 hectares na linha São Dimas, em Cristal do Sul, que pertence a Adilson do Prado Martins. O professor de história e filosofia, é agricultor quando não está dedicando-se a sala de aula. Com a ajuda dos pais que residem próximos, da filha e também da esposa, Juciana de Azevedo Martins, eles plantam diversos alimentos consorciados a floresta. A prática também foi certificada pela Rede Ecovida de Agroecologia.

Veja o vídeo aqui

Os sistemas agroflorestais nada mais são do que cultivos agrícolas junto com espécies arbóreas utilizadas para restaurar matas e recuperar áreas degradadas. A tecnologia ameniza limitações do terreno, minimiza riscos de degradação inerentes à própria atividade agrícola além de otimizar a produtividade. Existe ainda, naturalmente, uma diminuição na perda de fertilidade do solo e no ataque de pragas.

A experiência deu tão certo que o agricultor não precisa nem mesmo utilizar biofertilizantes nas plantas. “Quando adquirimos a área o solo era degradado e hoje não necessita de mais nada. A floresta é uma grande aliada, a natureza tem tudo! A partir do manejo conseguimos produzir uma diversidade de frutas como laranja, vergamotas, pêssegos, abacate, banana. Colhemos açafrão, feijão, mandioca, milho. Nas áreas abertas, contornadas pela mata, plantamos o trigo. Tudo sem agrotóxico ou fertilizante industrial” destacou. A venda compensa. O quilo do trigo por exemplo, é comercializado pelo dobro do valor, comparado ao convencional.

A técnica

A utilização de árvores é fundamental para a recuperação das funções ecológicas, uma vez que elas possibilitam o restabelecimento de boa parte das relações entre as plantas e animais. Martins explica que usa árvores exóticas ou então introduz espécies que naturalmente contribuem na produção. Também faz a roçada da vegetação. “Vou aperfeiçoando. Faço a poda das arvores maiores e assim controlo a luminosidade. É incalculável a quantia de minerais que a mata proporciona neste sistema enquanto a agricultura convencional trabalha basicamente com Nitrogênio, Potássio e Fósforo, o famoso NPK. A natureza é muito mais ampla”, relatou.

Para o membro de comunicação do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Marcos Corbari, a diversidade é uma marca do sistema. O agricultor consegue comida saudável, renda para a propriedade e praticamente não compra alimentos no supermercado. “Dois aspectos centrais: o primeiro é o respeito ao ciclo da vida. O segundo, a conotação política de cultivo contrariando um sistema hegemônico propondo o sistema coletivista. Entendemos que as palavras comida e veneno não podem ser utilizadas na mesma frase, quanto mais, dentro do mesmo cultivo” destacou Corbari.

Conforme o MPA, o movimento possui atualmente aqui na região, 379 áreas no sistema de agroflorestas que totalizam cerca de 500 hectares.
 

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