Sexta, 29 de Dezembro de 2017 às 16:39
HIV: é preciso prevenir para não remediar
Remédio que previne contaminação pelo vírus já está sendo ofertado pelo SUS em Porto Alegre
Por: Heloise Santi - saude@folhadonoroeste.com.br
Camisinha é a principal forma de prevenção contra todos os tipos de DSTs - Banco de imagens

Desde o começo da epidemia de HIV, o Brasil registrou 842.710 casos de Aids, no período de 1980 a junho de 2016. O país tem registrado, anualmente, uma média de 41,1 mil casos de Aids nos últimos cinco anos. Em relação à mortalidade, de 1980 até dezembro de 2014, foram identificados 303.353 óbitos cuja causa básica foi a Aids. Houve uma redução de 5% nos últimos anos, passando de 5,9 óbitos por ano por 100 mil habitantes em 2006 para 5,6 óbitos em 2015. Na edição passada, falamos sobre a doença e seu diagnóstico. Nesta, vamos abordar prevenção, sintomas e tratamento.

Prevenção
Muito se fala da importância do uso de camisinha para um sexo seguro porque, sim, ela segue sendo a principal forma de prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), incluindo o HIV. Porém, no dia 25 de dezembro, o Ministério da Saúde (MS) anunciou que o Sistema Único de Saúde (SUS) vai ofertar, para 12 Estados brasileiros, um medicamento que impede a propagação do vírus HIV na corrente sanguínea, já indicado como terapia antiretroviral nos Estados Unidos e em países da Europa, o Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).

O que é o PrEP?
A Profilaxia Pré-Exposição de risco à infecção pelo HIV consiste no uso preventivo de medicamentos antirretrovirais antes da exposição sexual ao vírus, para reduzir a probabilidade de infecção pelo HIV. O objetivo da PrEP é previnir a infecção pelo HIV e promover uma vida sexual mais saudável.

A PrEP é uma combinação de dois medicamentos (tenofovir e entricitabina), em um único comprimido, que impede que o HIV se estabeleça e se espalhe pelo corpo. A PrEP não previne outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e, portanto, deve ser combinada com outras formas de prevenção, como o uso da camisinha.

A distribuição do remédio pelo SUS vai priorizar 7 mil pessoas com mais de 18 anos, consideradas grupos de risco de contaminação, incluindo profissionais de saúde, homens que se relacionam com homens, transexuais, profissionais do sexo e casais sorodiscordantes - quando um dos parceiros é portador do HIV e o outro não.

Antes do início da terapia, no entanto, é necessário fazer exames, uma vez que o remédio é contraindicado para pessoas com doenças renais e desgaste nos ossos.

Na PrEP, a pessoa deve tomar o medicamento todos os dias, fazer exames regulares e buscar a medicação gratuitamente a cada três meses. Há possibilidade também de aquisição particular do medicamento em farmácias e drogarias. Por ora, o medicamento está sendo fornecido somente em Porto Alegre e mais 11 capitais brasileiras.

Qual a diferença entre PrEP e PEP?
A PrEP é o tratamento indicado para quem ainda não foi exposto ao vírus, já a Profilaxia Pós-Exposição, ou simplesmente PEP, é um tratamento com terapia antirretroviral (TARV) indicado para quem desconfia e/ou teve contato sexual desprotegido com quem é portador do vírus. O tratamento é feito durante 28 dias para evitar a sobrevivência e a multiplicação do HIV no organismo de uma pessoa.

Para funcionar, a PEP deve ser iniciada logo após a exposição de risco, em até 72 horas. “Você deve procurar imediatamente um serviço de saúde que realize atendimento de PEP assim que julgar ter estado em uma situação de contato com o HIV. É importante observar que a PEP não serve como substituta à camisinha. Muito pelo contrário: o uso de preservativos masculinos e femininos é ainda a principal e mais eficiente maneira de se evitar o HIV. Não deixe jamais de utilizar camisinha e se proteger em toda relação sexual”, salientou a enfermeira coordenadora do Serviço de Assistência Especializado em HIV/Aids e hepatites virais (Sae) de Frederico Westphalen, Viviane Cerutti.

A PEP consiste na ingestão de uma pílula em uma dose diária única, mas, a depender da avaliação do profissional de saúde que o atender, você pode ser orientado a seguir outra combinação de medicamentos. O mais importante é ter em mente que o tratamento, independentemente da quantidade diária de pílulas, não pode ser interrompido durante os 28 dias de duração, devendo ser tomado conforme prescrito pelo médico.

A equipe do SAE destaca ainda que o primeiro atendimento após a exposição ao HIV é considerado de emergência, por isso os hospitais também oferecem o tratamento inicial que deve seguir nas unidades de saúde. “Outra informação importante é que as pessoas potencialmente expostas ao HIV devem repetir a testagem em 30 dias e em 90 dias após a PEP”, comentou Viviane.

Sintomas e fases da Aids
Quando ocorre a infecção pelo vírus causador da Aids, o sistema imunológico começa a ser atacado. E é na primeira fase, chamada de infecção aguda, que ocorre a incubação do HIV (tempo da exposição ao vírus até o surgimento dos primeiros sinais da doença). Esse período varia de três a seis semanas. E o organismo leva de 30 a 60 dias após a infecção para produzir anticorpos anti-HIV. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida.

A próxima fase é marcada pela forte interação entre as células de defesa e as constantes e rápidas mutações do vírus. “No entanto, é importante destacar que isso não enfraquece o organismo o suficiente para permitir novas doenças, pois os vírus amadurecem e morrem de forma equilibrada. Esse período, que pode durar muitos anos, é chamado de assintomático”, explicou Viviane, ao ponderar ainda que o frequente ataque faz com que as células de defesa comecem a funcionar com menos eficiência até serem destruídas. “É aí que o organismo fica cada vez mais fraco e vulnerável a infecções comuns”, complementou.

A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a Aids. “Quem chega a essa fase, por não saber da sua infecção ou não seguir o tratamento indicado, pode sofrer de hepatites virais, tuberculose, pneumonia, etc. Por isso, sempre que você transar sem camisinha ou passar por alguma outra situação de risco, procure uma unidade de saúde imediatamente, informe-se sobre a PEP e faça o teste”, reforçou a coordenadora do SAE de Frederico Westphalen.

Tratamento
É feito à base de medicamentos antirretrovirais (ARV) que ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico. Por isso, o uso regular dos ARV é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas.

Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente os ARV a todas as pessoas vivendo com HIV que necessitam de tratamento. Atualmente, existem 22 medicamentos, em 38 apresentações farmacêuticas distintas.

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