Na edição da semana passada trouxe alguns apontamentos divulgados pela PRC -Pew Research Center- uma empresa que fornece informações sobre questões, atitudes e tendências que estão moldando os EUA e o mundo. Entre os dados de uma avaliação não científica baseada em uma amostra não aleatória, a mesma reforça que os resultados representam apenas as opiniões de pessoas que responderam à consulta e não são projetáveis ​​para nenhuma outra população. A maior parte deste relatório cobre as respostas escritas de especialistas, explicando suas respostas.

Além da diversidade das opiniões entre esses especialistas, a grande maioria – incluindo os pessimistas e os otimistas – destaca preocupações sobre a interseção entre confiança, verdade e democracia. O ponto alto de algumas respostas desses especialistas entrevistados é a seguinte: o uso indevido da tecnologia digital para manipular e “armar” fatos perturba a confiança das pessoas nas instituições e umas nas outras. A redução da confiança afeta a percepção das pessoas sobre se os processos e instituições democráticos projetados para capacitar os cidadãos estão de fato funcionando ou não.

Alguns entrevistados acreditam que o ambiente de informações e de confiança piorará até 2030, devido ao aumento das deepfakes de vídeo, das cheapfakes (aqrquivos editados com alterações de imagens e sons) e de outras táticas de desinformação. O temor é que essa crescente que leva à descrença e ao desespero da população diante de instituições que deveriam passar segurança, também esteja ligada às lutas de longa data que o jornalismo honesto e independente enfrenta. Adicionado à isso, muitos desses especialistas apontam que se preocupam com o poder das grandes empresas de tecnologia e seu papel no discurso democrático, bem como da maneira como essas empresas exploram os dados que coletam sobre seus usuários.

Veja o que afirma o Jonathan Morgan, pesquisador sênior de design da Wikimedia Foundation, que justifica porque ele acredita que o uso da tecnologia enfraquecerá os aspectos centrais da democracia e da representação democrática no mundo:

“Estou preocupado principalmente com três coisas. 1) O uso da mídia social por grupos interessados em disseminar desinformação de maneira estratégica e coordenada, com a  intenção de minar a confiança das pessoas nas instituições e / ou convencê-las a acreditar em coisas que não são verdadeiras. 2) O papel de plataformas fechadas proprietárias, administradas por empresas com fins lucrativos, na disseminação de informações para os cidadãos, na coleta de informações de (e sobre) cidadãos e no engajamento de grupos políticos. Essas plataformas não foram projetadas para serem ‘bens comuns digitais’, não são igualmente acessíveis a todos e não são geridas com o objetivo de promover o bem-estar social ou a ampla participação cívica. A motivação pelo lucro por essas empresas, modelos de negócios, práticas de coleta de dados, falta de transparência no processo de poder (e, portanto, resiliência contra a regulamentação adotada para fins pró-sociais) as tornam pouco adequadas para promover a democracia. 3) O crescente papel de vigilância pelos proprietários de plataformas digitais (e outros atores econômicos que coletam e transacionam dados de rastreamento digital), bem como pelos atores de estatais, e o crescente poder das tecnologias de vigilância com aprendizado de máquina para capturar e analisar dados, ameaçam a capacidade do público de se envolver de maneira segura e equitativa em discussões cívicas.”

“Estou preocupado principalmente com três coisas. 1) O uso da mídia social por grupos interessados ​​em disseminar desinformação de maneira estratégica e coordenada, com a intenção de minar a confiança das pessoas nas instituições e / ou convencê-las a acreditar em coisas que não são verdadeiras. 2) O papel de plataformas fechadas proprietárias, administradas por empresas com fins lucrativos, na disseminação de informações para os cidadãos, na coleta de informações de (e sobre) cidadãos e no engajamento de grupos políticos. Essas plataformas não foram projetadas para serem ‘bens comuns digitais’, não são igualmente acessíveis a todos e não são geridas com o objetivo de promover o bem-estar social ou a ampla participação cívica. A motivação pelo lucro por essas empresas, modelos de negócios, práticas de coleta de dados, falta de transparência no processo de poder (e, portanto, resiliência contra a regulamentação adotada para fins pró-sociais) as tornam pouco adequadas para promover a democracia. 3) O crescente papel de vigilância pelos proprietários de plataformas digitais (e outros atores econômicos que coletam e transacionam dados de rastreamento digital), bem como pelos atores de estatais, e o crescente poder das tecnologias de vigilância com aprendizado de máquina para capturar e analisar dados, ameaçam a capacidade do público de se envolver de maneira segura e equitativa em discussões cívicas.”

Na próxima semana, nos encontraremos novamente e trarei apontamentos de especialistas com um olhar mais positivo diante deste cenário. O que você está achando de tudo isso? Faz sentido pensarmos e debatermos como isso está sendo gestado em nosso país?