Há duas semanas trago até vocês pensamentos e informações sobre esta temática que parece estar distante do nosso viver cotidiano e, no entanto, é uma das que rege tudo isso. Para alguns respondentes da pesquisa Pew Research Center e o Imagining the Internet Center da Universidade Elon, sobre a qual explico sua intenção na primeira coluna desta tríade, os prazeres intrínsecos da tecnologia ou da riqueza são suficientes. Mas para centenas de participantes da pesquisa Pew, o cenário é absolutamente deprimente. Nesse cenário, a crise da meia-idade vem à tona, onde ideais e confiança são abalados: aqueles que acreditam que estão fazendo algo mais significativo do que criar tecnologias e o que é preciso para impedir potenciais danos causados por elas.

Aqueles que são mais otimistas esperam que as soluções efetivas para esses problemas evoluam, justificando que as pessoas sempre se adaptam e podem usar a tecnologia para combater os problemas que a democracia enfrenta. A maioria daqueles que não espera muita mudança, afirmou que acredita que o uso da tecnologia continuará sendo uma mistura estável de resultados positivos e negativos para a sociedade.

Algumas das respostas que merecem destaque:

Danah Boyd, principal pesquisadora da Microsoft Research e fundadora da Data & Society, escreveu: “A democracia exige que as pessoas se juntem e trabalhem com as diferenças para se autogovernar. Essa é uma tarefa difícil na melhor das hipóteses, mas quando as pessoas estão ansiosas, amedrontadas, confusas ou inseguras, é mais provável que se afastem do coletivo e se concentrem no interesse próprio. A tecnologia é desestabilizadora. Isso pode ajudar a desencadear mudanças positivas, mas também pode desencadear uma tremenda ansiedade. A tecnologia também pode beneficiar os movimentos sociais, mas também os atores adversários. Com demasiada frequência, a tecnologia é concebida de forma ingênua, imaginando tudo de bom, mas não criando salvaguardas para impedir o mal. O problema é que a tecnologia reflete e amplia o bem e o mal na vida cotidiana. E, no momento, não temos salvaguardas ou políticas para impedir que os manipuladores causem danos significativos às tecnologias que foram projetadas para conectar pessoas e ajudar a disseminar informações".

Susan Etlinger, analista de indústria do Altimeter Group, respondeu: “Hoje temos a capacidade de reunir grande quantidade de dados, criar novos tipos de dados, transformá-los, criar e movimentar mercados sem termos estruturas de governança suficientes para proteger consumidores, pacientes, investidores e clientes – para não mencionar governos – de danos. Se pretendemos proteger a democracia, precisamos agir deliberadamente, mas também precisamos agir rapidamente. Se inverter o dano na era das ‘fake news’ já era bastante difícil, ficará exponencialmente ainda mais à medida que as notícias deepfake se tornarem a norma. Estou menos preocupada com robôs sencientes do que estou quanto à distorção da realidade e à violação dos direitos humanos de pessoas reais em grande escala. Portanto, cabe às instituições públicas e privadas implementar regulamentações apropriadas”.

Marc Rotenberg, diretor executivo do Electronic Privacy Information Center, disse: “Foi ingênuo acreditar que a tecnologia fortaleceria instituições democráticas. Isso ficou óbvio, pois as empresas de tecnologia quase imediatamente procuraram se isentar de leis e regras democráticas que governavam outros negócios em áreas como publicidade política, proteção da privacidade, responsabilidade do produto e transparência. A retórica dos “processos de múltiplas partes interessadas” substituiu a exigência de tomada democrática de decisão. O impacto foi imediato e abrangente: o rápido acúmulo de poder e riqueza. Técnicas que isolaram e silenciaram oponentes políticos, diminuíram a ação coletiva e colocaram funcionários importantes ao lado de líderes políticos, incluindo o presidente. E tudo com o apoio de um sistema político enfraquecido que foi hipnotizado pela tecnologia, mesmo quando este falhou em compreender as rápidas mudanças que estavam em andamento.”

Gina Neff, pesquisadora sênior do Oxford Internet Institute, respondeu de forma clara. “Simplesmente não há razão para acreditar que a tecnologia possa fortalecer a democracia. As democracias ocidentais estão enfrentando o aumento da concentração de capital financeiro, impactando na ascensão do populismo”.

E o que você tem a dizer sobre isso???