Não é só o corpo do homem que pode sofrer de surdez e de mudez. Quem se fecha à Palavra de Deus acaba sendo acometido destas enfermidades em sua alma. Adquire uma incapacidade de ouvir e de anunciar a Palavra. Pior ainda, quem desobedece ou desvaloriza esta Palavra, ainda se encontra em uma situação pior. A desobediência à Palavra torna lábios e ouvidos inúteis.

Aquele que volta novamente à escuta e à obediência da Palavra, tem seus ouvidos abertos e sua língua solta, para escutar e proclamar a Palavra do Senhor e suas maravilhas.

Escutar e proclamar a Palavra de Deus expressam um princípio necessário para a verdadeira fé: apoiar totalmente a vida nesta escuta amorosa e na proclamação, como busca de vivê-la na prática, no dia a dia.

A partir deste princípio fundamental, podemos entender a importância, por exemplo, da Palavra de Deus na Sagrada Liturgia. Em cada Celebração Litúrgica, especialmente na Santa Missa, a Palavra é proclamada, revelando aos participantes a presença amorosa e exigente de Deus, que sempre nos interpela convidando-nos à renovação da fé e à obediência.

O texto da 1a Leitura deste domingo (Isaías 35,4-7) faz parte de um trecho do livro profético chamado de “pequeno apocalipse de Isaías”. Neste trecho é apresentado o destino terrível que ameaça os pagãos em oposição à sorte alegre e cheia de felicidade, abençoada por Deus, daqueles que escutam a Palavra do Senhor e a acolhem. A escuta e a acolhida da Palavra produzem um efeito: a alegria.

Na 2a Leitura (Tiago 2,1-5) o Apóstolo nos relembra a importância da vivência da caridade para com todos sem favoritismos. Se houver alguma preferência, esta deve ser especialmente para com os mais pobres e necessitados.

No Evangelho (Marcos 7,31-37), escutamos a cura milagrosa do surdo-mudo. Nosso Senhor tocou naquele homem incapacitado, devolvendo-lhe a capacidade de escutar e de falar.

Somos nós, discípulos do Senhor, aqueles que recebem hoje o dom da fé para abrir-nos à Revelação e à Salvação. Esta abertura fundamental na fé nos capacita a escutar e a proclamar a Palavra do Senhor.

Estas atitudes de Jesus para com o homem enfermo, citadas pelo Evangelista São Marcos, foram incluídas no rito do Batismo. Os mais antigos rituais batismais já previam um rito sobre os sentidos, prática que se mantém até os nossos dias.

A história humana está permeada por uma busca incessante de buscar o caminho da felicidade, a verdade que ilumine a consciência e a vida que produza verdadeira alegria. Nós, cristãos aprendemos de Nosso Senhor que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Em cada Eucaristia temos a oportunidade de nos encontrarmos com o Senhor, que nos leva a superar todas as diferenças sociais, culturais, econômicas, para assumirmos uma maior profundidade na unidade como filhos de Deus.