Jesus atacou pesadamente alguns fariseus, que não viviam com fidelidade o verdadeiro espírito do farisaísmo, por isso, o termo acabou conhecido como sinônimo de hipocrisia, de falsidade.

Os fariseus constituíam um grupo dentro do judaísmo, severos na observância da Lei, em um momento histórico marcado por influências pagãs. Infelizmente alguns fariseus da época de Jesus observavam tão somente costumes exteriores, sem convicção e sem coerência interior. Por outro lado, também entre os fariseus havia gente decente. São Paulo, por exemplo, pertencia ao grupo dos fariseus. Era um observante zeloso da Lei. Nosso Senhor criticava, no farisaísmo, o abandono do espírito de fidelidade interior à Lei de Deus, buscando tão somente a exterioridade do culto. Esta lição todos nós devemos aprender de Jesus. Não existe culto que agrade a Deus desligado de uma atitude interior de fidelidade à Lei do amor.

Na 1a Leitura deste Domingo (Deuteronômio 4,1-2.6-8), aprendemos que não se pode viver uma autêntica vida de fé só com o olhar voltado para o passado. O passado tem muito a nos ensinar, mas não pode nos fazer esquecer de viver o presente, fundamentados na fé e na certeza de que Deus hoje está presente em nossa vida.

A certeza desta presença deve levar-nos a uma coerência de vida que nos faz diferentes: diferentes no sentido de fundamentarmos nossa vida em Deus e em sua Palavra. Como cristãos, somos um povo ligado especialmente a Deus, portadores de uma mensagem e de um princípio de vida para anunciar.

A 1a de hoje Leitura mostra-nos também o orgulho que o povo de Israel tinha por causa da Lei de Deus, que era uma Lei superior a qualquer outro código de leis dos demais povos. Muito mais nós, cristãos, temos de nos orgulhar e buscar sermos fiéis à Nova Lei de amor que Jesus veio nos ensinar a praticar.

No trecho da Carta de São Tiago (Tiago 1,17-18.21-22.27), que é a 2a Leitura deste Domingo, o Apóstolo nos convida a praticar a Palavra de Deus. Este desejo deve estar acompanhado de uma atitude de profunda humildade frente a esta Palavra, que é de Salvação. Da mesma forma, quem busca viver fundamentado na Palavra do Senhor deve sempre buscar viver a docilidade, o deixar-se conduzir pelo Espírito de Deus.

No Evangelho (Marcos 7,1-8.14-15.21-23) vemos Jesus em um encontro com os escribas e fariseus de seu tempo, tratando de questões relativas às tradições que Jesus apontava como simplesmente humanas, sem fundamentação na Lei de Deus. Jesus quer nos ensinar que uma tradição só pode ser considerada válida se estiver fundamentada na Palavra de Deus e se ajudar a cumprir com maior fidelidade e interioridade os Mandamentos de Deus. O apego a costumes simplesmente humanos reflete uma atitude de orgulho e de autossuficiência perante Deus. Esta atitude gera corações endurecidos, refratários ao amor e à misericórdia de Deus. Este é o grande risco, para nós cristãos: acreditar que o que nos salva são os costumes que aprendemos, ou fato de que nossos antepassados foram pessoas de fé etc. O costume pode, muitas vezes matar o entusiasmo e o amor, e nos fazer cair nos formalismos exteriores. É preciso que sempre, em nossa vida normal de cada dia e também quando participamos da Eucaristia dominical, louvar e agradecer a Deus não somente com nossos lábios, mas fazer com que este louvor e esta ação de graças brotem de um coração amoroso e reconhecido e que isto nos leve a uma adesão profunda e vivenciada da Lei de Deus.

A Eucaristia que recebemos será sempre o maior sinal do amor que Deus tem para com cada um de nós, dando-nos o Corpo e o Sangue de seu Filho, Jesus Cristo. Sejamos nós agradecidos.